Fed: mercado espera redução do juro, mas debate sobre magnitude

Embora visão majoritária seja de 50 pontos-base, alguns vêem juro abaixo de 1,00% ao ano, patamar nunca antes alcançado

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SÃO PAULO – A última reunião ordinária do Fed, realizada em 16 de setembro, pautou pela manutenção do juro básico norte-americano. Mas não foi sua última decisão, visto que três semanas depois, em 8 de outubro, a Fed Funds Rate foi reduzida em 50 pontos-base, em uma ação coordenada de flexibilização monetária com outros bancos centrais do mundo.

De lá para cá, novos acontecimentos em torno da crise trouxeram tensões aos investidores. “Temos poucos sinais que permitem afirmar que o pior da crise de crédito já passou”, afirma Bob Doll, vice-presidente do banco de investimentos BlackRock. Pelo contrário, o contágio das turbulências sobre o lado real da economia internacional está ainda mais evidente.

Nesse contexto, há pouco espaço para dissenso no mercado no que diz respeito à decisão a ser anunciada pelo Federal Reserve na próxima quarta-feira: a taxa básica de juro dos EUA deverá ser reduzida novamente. A magnitude de tal corte é que gera certas discussões entre os analistas.

Apostas

A projeção majoritária é por uma redução de 50 pontos-base, levando a Fed Funds Rate ao patamar de 1,00% ao ano, nível em que permaneceu por um ano de junho de 2003 a igual mês de 2004. Tal leitura é adotada, por exemplo, pelos analistas do Société Générale, para quem “reduzir a Fed Funds Rate para 1,00% ao ano – nível em que já se encontra efetivamente no mercado – deve surtir pouco efeito. No entanto, o Fed não pode permanecer inerte”.

Embora sua aposta seja mesmo de uma redução de 50 pontos-base, as palavras da equipe do banco francês deixam certo espaço para visões mais ousadas. De acordo com os juros futuros mensurados pela Chicago Board of Trade, a aposta de 75 pontos-base corresponde a 26% do total do mercado. Mas um corte de tamanha magnitude significaria levar a taxa básica de juro norte-americana aonde ela nunca esteve: abaixo de 1,00%.

“Não há dúvidas de que o Fed tem sido agressivo em seus cortes, mas isso não implica dizer que ele está à frente do mercado. Com o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos a 3,5%, pode ser que a Fed Funds Rate tenha de ir a 0% para prover o suporte necessário à economia e ao sistema bancário do país”, afirma Bob Doll, levando ao extremo as visões mais ousadas do mercado.

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Paralelamente, há também os mais conservadores, que prevêem um corte mais moderado por parte do Fed em seu penúltimo encontro de 2008. Na visão da equipe do Banif, o colegiado presidido por Ben Bernanke deverá deliberar por um abatimento de 25 pontos-base no juro, para “adoçar a pouca munição que ainda lhe resta” – por munição, entenda o poder de flexibilização monetária de que o Fed ainda dispõe.

Crise longe do fim

Seja como for, o Société Générale mostra-se cético quanto ao impacto efetivo da decisão do Fed. “Por ora, as manobras do Fed falharam em seu objetivo de restaurar a confiança nos mercados”, afirma a equipe, que, embora reconheça a rapidez da autoridade norte-americana em responder as atuais turbulências quando comparada à postura de outros bancos centrais do mundo em crises passadas, não vê um fim da atual crise tão cedo.