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SÃO PAULO – Os Estados Unidos devem crescer de 3% a 4% em 2011, afirmou nesta quinta-feira (13) o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke. Esse ritmo, segundo ele, é saudável, mas não ajudará a diminuir o desemprego “da forma como gostaríamos”.
A melhora da economia norte-americana nos últimos meses, de acordo com Bernanke, faz com que a estimativa de crescimento para o ano seja razoável. “Seria bom ver a economia crescendo, e isso significa mais vendas, mais negócios”, afirmou.
Apesar disso, o chairman banco central dos EUA também lembrou que o mercado imobiliário não vai melhorar da noite para o dia. “A economia tem que melhorar; a confiança tem que melhorar”. O passo mais difícil nessa direção, segundo Bernanke, será a reforma da Fannie Mae e da Freddie Mac, necessária para restabelecer a solidez do mercado imobiliário norte-americano.
QE2
Bernanke também afirmou que a nova rodada de medidas de flexibilização quantitativa ajudou a afastar os riscos de deflação na maior economia do mundo. “Acho que o risco de deflação diminuiu consideravelmente, então estamos na direção certa”, disse o chairman. Ele lembrou que as melhores projeções para a economia se refletem na alta dos yields dos bonds norte-americanos.
O chairman do BC norte-americano também frisou que o QE2 ajudou a melhorar o mercado de renda variável, apesar da controvérsia envolvendo seu lançamento – diversos economistas se opuseram a mais medidas de ajuda à economia dos EUA antes do lançamento do QE2, questionando sua eficácia.
Pequenas e médias empresas
A recuperação plena dos EUA, contudo, ainda depende das pequenas empresas, segundo Bernanke. Ele ressaltou que os bancos devem achar um equilíbrio para que concedam crédito para empresas “merecedoras”, mas ao mesmo tempo não façam mais empréstimos podres.
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Nesse sentido, o chairman apontou que os bancos comunitários têm saído na frente, suprindo a demanda rejeitada pelos grandes bancos. “Os bancos comunitários (…) entendem melhor os negócios, conhecem as pessoas melhor (…). Eles são os substitutos dos empréstimos preguiçosos, que é o trabalho duro de se entender um negócio”, disse.
Este ano será, segundo Bernanke, melhor para as pequenas empresas em termos de crédito. “As coisas pararam de piorar e estão começando a melhorar”, disse. O presidente do Fed, cabe dizer, falou à uma plateia formada por pequenos empresários e políticos nesta quinta-feira.
O tom menos otimista de Geithner
Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, serviu quase como contraponto de Bernanke no dia. Enquanto o chairman do Fed fazia afirmações razoavelmente otimistas sobre a recuperação, Geithner aparece no noticiário alertando para a possibilidade de novos resgates a grandes empresas, caso uma nova crise esteja à caminho.
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Segundo informações do site MarketWatch, a declaração foi dada pelo secretário do Tesouro ao SIGTARP, um grupo de fiscalização do TARP, criado durante a crise para prestar assistência a empresas que enfrentavam problemas financeiros. “Podemos ter que fazer coisas extraordinárias novamente se nos depararmos com um choque tão grande [quanto a crise financeira]”, disse Geithner.
Apesar de elogiar a atuação do governo norte-americano durante a crise, o relatório do SIGTARP também indica o aparecimento do risco moral no país, associado ao fato de que as empresas “too big to fail” ainda existem. “É um lembrete de que o custo final de resgatar uma companhia como o Citigroup será desconhecido até a próxima crise financeira”, afirmou o grupo.