Fed “espera para ver”, mas analistas apontam para fim do alívio quantitativo

Minuta de última reunião revelou preocupação com crédito e recessão, mas inflação pode voltar aos holofotes

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SÃO PAULO – Sem fechar as portas para novos estímulos quantitativos, tampouco definir estratégias para enxugar a liquidez injetada quando a economia se recuperar, os membros do Federal Reserve definiram, em sua última reunião, uma postura de avaliação das medidas até agora adotadas.

Esta é a interpretação de analistas de mercado sobre a ata do último encontro realizado pela instituição, entre os dias 28 e 29 de abril. Ainda cautelosos quanto às condições do mercado financeiro, os diretores do Fed revisaram para baixo suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA para os próximos três anos, além de ressaltarem a persistência de ameaças recessivas.

Mensagens

“A primeira mensagem foi de que todos os membros do Fed mantêm uma atitude aberta sobre a aquisição futura de ativos”, avalia a equipe do Société Générale, sobre o modo heterodoxo encontrado pela instituição para promover a expansão monetária, após derrubar a taxa básica de juro para próximo de zero.

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Os diretores da autoridade monetária norte-americana continuam focados em melhorar as condições do mercado de crédito e combater riscos deflacionários, de acordo com o Danske Bank. Todavia, a adoção de postura menos incisiva – “esperar para ver” – seria um forte sinalizador para as ações futuras da instituição.

“Esperamos que a melhora em indicadores econômicos nos próximos meses retire efetivamente o afrouxamento quantitativo da mesa”, afirmam analistas da instituição escandinava. Todavia, houve certo lamento em relação à ausência de debates sobre estratégias para sair da situação atual, potencialmente explosiva para a inflação em caso de retomada da economia, avaliam.

Medição

Embora as projeções indiquem um cenário suave para a variação dos preços nos próximos anos, os analistas ressaltam possíveis dificuldades para a confecção de projeções, em função de alterações bruscas no mercado.

“Se a crise conduziu a um rebaixamento permanente na capacidade produtiva, então a inflação é muito mais provável e o Fed corre o risco de ser muito expansionista”, afirma o banco francês em relatório.

Aparente paradoxo

Os formuladores de política monetária enviaram diferentes sinais ao mercado relativos à recuperação econômica dos EUA. Ao mesmo tempo em que reviram para baixo suas projeções sobre o crescimento do PIB até 2011, ainda assim projetando contração menor que boa parte do mercado.

Ao mesmo tempo, mantiveram o discurso otimista em relação à recuperação econômica. “Em relação ao crescimento, a ata revelou que os membros se tornaram de algum modo mais otimistas”, destacam os analistas do Danske Bank. A revisão formal do crescimento estaria relacionada à adoção de valores mais modestos, principalmente, para o primeiro trimestre de 2009, destaca o time do Société Générale.

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