Fed: embora limitado, corte no juro dos EUA é benéfico e não deve estar sozinho

Novas reduções devem estar por vir, mas impacto real da medida é restrito, já que taxa efetiva já estava acerca dos 1,00% ao ano

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SÃO PAULO – Depois da última quarta-feira, o juro básico norte-americano agora se encontra em seu menor patamar da história: 1,00% ao ano. A decisão foi tomada unanimemente entre os membros do Federal Reserve e veio ao encontro das projeções majoritárias dos analistas, pautadas pela continuidade da dimensão da flexibilização monetária iniciada em 8 de outubro.

Cortes nos juros costumam repercutir positivamente sobre os mercados de ações, e este não foi diferente: as principais bolsas do mundo engatam fortes ganhos nesta quinta-feira (30) no lastro da decisão da autoridade norte-americana. Mas enquanto investidores mostram-se otimistas, analistas preferem uma visão ainda cautelosa.

Uma das primeiras ressalvas feitas é quanto ao impacto efetivo da redução. “Acreditamos que o corte exerça pouco efeito uma vez que a efetiva taxa de juro vem sendo negociada, em média, 58 pontos-base abaixo da meta traçada desde o começo do mês de outubro”, opina a equipe da Merrill Lynch. A visão é compartilhada pelo Société Générale.

“A decisão é potencialmente positiva, mas seu alcance benéfico sobre o lado real da economia é limitado”, afirmam os analistas do banco francês em relatório, para quem uma melhora de fato no cenário só se dará com a restauração da confiança no sistema financeiro.

Recessão versus inflação

Além do teor da decisão em si, analistas também se debruçam sobre os indícios dados pela autoridade monetária em seu comunicado. E o consenso do mercado é de que a nota revela um Federal Reserve notadamente mais preocupado com os riscos de uma recessão e, em contrapartida, menos temeroso quanto à aceleração inflacionária.

“Os números do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no terceiro trimestre deverão confirmar o porquê de tamanha preocupação”, afirmavam os analistas do Société Générale. E de fato confirmaram: a economia norte-americana contraiu 0,3% no período, embora o recuo tenha vindo ligeiramente menor que o esperado pelo mercado.

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No entanto, para Brian Wesbury e Robert Stein, economistas da First Trust Advisors, a postura do Fed pode se revelar extremamente danosa no médio e longo prazo. “Acreditamos que a questão da inflação é muito mais séria do que o Fed pensa. Se o Fed não reduzir o ritmo de cortes no juro assim que o PIB voltar a crescer por volta do ano que vem, a inflação deve voltar forte”, alertam.

Mais flexibilização por vir

De qualquer forma, ao menos por ora, a flexibilização monetária deverá se confirmar nos próximos encontros do colegiado. “O comunicado deixa espaço para maiores cortes. Nossa equipe espera uma próxima redução de 50 pontos-base”, afirma o UBS em relatório, para quem, no entanto, as linhas de swap formuladas também na última quarta-feira pelo Fed são mais importantes que a redução do juro básico dos EUA.

Um total de US$ 120 bilhões será disponibilizado pelo Federal Reserve ao México, Coréia do Sul, Cingapura e Brasil, sendo que cada banco central receberá fatias iguais de US$ 30 bilhões. “Isto diferencia países com problemas de liquidez de países com problemas sistêmicos”, afirmam os analistas do UBS.