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SÃO PAULO – O Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Federal Reserve, optou nesta quarta-feira (28), por 8 votos a 1, pela manutenção do juro básico norte-americano na faixa entre 0% e 0,25% ao ano, menor patamar de sua história.
Com o comitê limitado em continuar com a flexibilização monetária tradicional, visto que a Fed Funds Rate já está próxima de zero, o desfecho da reunião não surpreende as projeções dos analistas. A expectativa, agora, diz respeito a novas medidas a serem adotadas pelo colegiado com vistas a estimular a economia.
Comunicado sem grandes surpresas
O comunicado enviado pelo Fed em conjunto com o teor de sua decisão manteve o tom de preocupação com a economia do país, que se deteriorou ainda mais desde a última reunião. Desta forma, o comitê afirmou que “continua antecipando que o enfraquecimento das condições econômicas deve exigir que a Fed Funds Rate permaneça em níveis excepcionalmente baixos por algum tempo”.
Por outro lado, a autoridade manteve a linha observada nos últimos encontros e demonstrou temores mais contidos quanto à inflação. “Em linha com o declínio observado nos preços de energia e outras commodities, esperamos que as pressões inflacionárias permaneçam moderadas nos próximos trimestres”, trouxe a nota.
O Fed ainda afirma que irá empregar todas as ferramentas disponíveis para promover um crescimento sustentável da economia e preservar a estabilidade dos preços. Segundo o documento, “a política da instituição continuará focada em apoiar o funcionamento dos mercados financeiros e em estimular a economia através de operações de mercado aberto e outras medidas”.
Poucas opções com o juro básico
Ao contrário das últimas reuniões, a desta semana não teve o rumo do juro básico como o principal motivo das discussões. Diante da falta de espaço para mudanças significativas, o que mais gerou especulações desta vez foram os pontos debatidos pelo Fed a respeito dos problemas envolvendo a economia norte-americana e suas possíveis soluções.
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O próprio comitê já havia sinalizado em sua última decisão – e também nesta – que as fracas condições econômicas dos EUA justificavam o baixo nível do juro por um tempo, de modo que não restavam muitas opções sobrando para o encontro desta semana, a não ser manter a taxa no mesmo patamar.
| Próximas reuniões do Fomc |
| 17 de março |
| 29 de abril |
| 24 junho |
| 11 de agosto |
| 22 de setembro |
| 4 de novembro |
| 15 de dezembro |
Em entrevista à CNN Money, o professor de economia da Cal State University Channel Islands, Sung Won Sohn, lembra que não podemos esperar que uma instituição do porte do Fed e com um histórico criativo como o seu não tenha nenhuma outra carta na manga, embora acredite que só tomaremos conhecimento desse “trunfo” na próxima reunião.
“Eu acredito que o Fed tenha sempre uma bala sobrando, mas analisando por um critério prático (…) não existe muito que eles possam fazer no momento”, afirmou.
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Próximos passos do Fed
Mas se não há muito o que fazer com relação ao juro básico do país, qual será o objetivo das próximas reuniões da autoridade monetária? Para o Danske Bank, a principal meta deve ser a busca por novas medidas de combate aos efeitos da crise, “incluindo uma maior intervenção no mercado hipotecário”, a fim de colocar a economia nos trilhos da recuperação o mais rápido possível.
Entre as ações esperadas pelo Société Générale, está a adoção de uma meta de inflação para combater o risco deflacionário e o anúncio das iniciativas a serem adotadas com a segunda metade do TARP (Troubled Asset Relief Program), incluindo a possibilidade de aquisição de ativos podres de instituições financeiras, deixada em aberto pela administração do novo presidente dos EUA, Barack Obama.
Neste sentido, um programa que também pode ser importante é o Talf (Term Asset-Backed Lending Facility), a ser lançado em fevereiro. Se der certo, o presidente do Fed, Ben Bernanke, já sinalizou que poderá adotar uma estratégia semelhante para títulos municipais, hipotecas residenciais privadas e CMBS (Commercial Mortgage-Backed Securities), que são títulos lastreados em hipotecas comerciais.
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Mesmo com um espaço limitado para a política monetária, a impressão que se tem é que o Fed ainda está longe de ficar sem armas para combater a crise. Assim, o mercado continua depositando sua confiança na autoridade, e espera uma retribuição.