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SÃO PAULO – “Admitindo a existência de risco moral, o Banco Central norte-americano deve evitar absorver perdas”. A frase consta em artigo publicado recentemente pelo Federal Reserve de Nova York, assinado por James Chapman e Antoine Martin.
Dito de outra forma, os formuladores de política econômica nos EUA afirmam que, tomando para si perdas do setor privado decorrentes de avaliações incorretas sobre os riscos de determinadas operações, o Fed acaba por incentivar a reincidência do mesmo evento.
Temendo paternalismo
O paper em questão vem num momento bastante apropriado para a discussão do papel das intervenções do BC norte-americano. Diversos setores clamam por uma redução da Fed Funds Rate mesmo antes da reunião da autoridade monetária em 18 de setembro, com o intuito de conter as perdas provenientes da inadimplência das hipotecas de alto risco.
Ben Bernanke, no entanto, tem sido enfático em suas declarações, salientando que está disposto a utilizar todas as ferramentas disponíveis para amenizar a crise, contanto que haja necessidade para tal. Para ele, um afrouxamento monetário só virá a ocorrer caso a economia real seja afetada pela deterioração das condições de liquidez.
Em discurso realizado na última sexta-feira (31), o próprio presidente George W. Bush ressaltou que um socorro federal aos concessores de empréstimos apenas estimularia a nova ocorrência do evento.
Na mesma linha, Bernanke disse que não é responsabilidade e nem seria apropriado o Fed assumir uma postura de proteção aos investidores alavancados em ativos de risco.
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Dúvidas para 18 de setembro
Não se trata aqui de negar a possibilidade de redução da taxa básica de juro dos EUA em 18 de agosto. Defende-se, porém, que talvez haja um ligeiro exagero na probabilidade de 100% a esta ocorrência, conforme evidenciado pelas cotações de contratos de juros futuros naquele país.
Como defendido por Bernanke, a flexibilização da política monetária norte-americana só acontecerá caso haja contaminação dos problemas enfrentados pelo subprime no lado real da economia. Esperemos os novos indicadores, sobretudo o Relatório de Emprego, na sexta-feira.