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SÃO PAULO – A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) considerou descabida a declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (1), na qual disse que, para haver um Estado forte, é necessário que o País tenha carga tributária elevada.
“A avaliação do presidente da República apenas reforça uma característica marcante do governo ao longo dos anos: não colocar nenhum freio na gastança pública e penalizar o empresário com uma carga tributária extorsiva para cobrir as despesas ineficientes. É um absurdo”, afirma o diretor-executivo da Fecomercio, Antonio Carlos Borges.
Carga tributária versus qualidade dos serviços
Para o executivo, um Estado arrecadador não é sinal de fortalecimento. “Nosso estado é obeso, ineficiente, sem nenhuma musculatura”, observou. “Podemos usar a mesma base comparativa do presidente e comparar a atuação do Estado brasileiro. De fato, temos uma carga tributária nivelada às economias centrais da Europa, dos Estados Unidos e do Japão, mas recebemos dos serviços a mesma qualidade dos países da América Central, onde o Estado não existe, segundo o presidente”, comparou Borges.
Já o presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, Paulo Rabello de Castro, propõe a Lula realizar um teste comparativo entre países por um período de dez anos, olhando para um país com carga tributária de 40%, caso do Brasil, e outro com carga de 30%, algo mais realista para o padrão brasileiro.
“Daqui dez anos veremos qual dos dois se desenvolverá mais, terá maior distribuição de renda, melhor qualidade de vida e maior inserção global”, afirmou. “Não tenho dúvida em afirmar que o de carga tributária menor estará muito à frente daquele que tributa mais”, finalizou Castro.