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SÃO PAULO – A economia brasileira deverá crescer 4,5% em 2011, disse o economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Rubens Sardenberg, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (21) para divulgar a Pesquisa de Projeções Macroeconômicas e Expectativa de Mercado para o próximo ano e para 2012.
“Temos um cenário de recuo do crescimento para 2011. Nossa expectativa é de crescimento de 4,5% em 2011, devido ao ambiente de maior restrição ao crédito, perspectiva de aumento nos juros e, claro, a maior base de comparação em relação aos fortes dados de 2010, quando devemos crescer em torno dos 7,5%”, avaliou o economista.
Para 2012, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) nacional deverá também ser de 4,5%, “ao menos por enquanto”, frisou Sardenberg. De acordo com o economista, a indústria deverá ser o setor com desempenho mais significativo em 2011, com alta de 5,3% de produção na comparação anual.
Inflação e Selic
A pesquisa realizada pela Febraban mostrou uma elevação na expectativa de inflação do mercado para o próximo ano. De acordo com o estudo, em 2011 a inflação deverá fechar em torno de 5,2%, pouco inferior ao patamar esperado para este ano, próximo dos 5,8%. “Só em 2012 há expectativa de que a inflação recue para o centro da meta do governo, de 4,5%”, disse Sardenberg.
Na pesquisa promovida pela Febraban em agosto, a expectativa para o IPCA em 2011 era de 4,7%. Já em setembro (4,8%) e outubro (4,9%), houve elevação de 0,1 ponto percentual em cada uma das apurações da federação. Neste último levantamento, o salto nas projeções do mercado foi maior, de 0,3 ponto percentual, com o índice agora estimado em 5,2% em 2011.
“Nos últimos meses o mercado ficou mais pessimista em relação à inflação. E, por conta do cenário de aumento nas pressões inflacionárias, tivemos um crescimento na expectativa da meta para a Selic. Antes era 11,25% ao ano, mas agora as projeções são de que a gente feche 2011 com a Selic em 12,25% ao ano. Já em 2012, a taxa deve voltar para os 11%”, avaliou o economista.
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Sardenberg destacou que o cenário internacional deverá ser menos favorável à inflação nos próximos dois anos do que em 2010. “Em resumo, temos a economia crescendo menos, mas ainda bastante, e a inflação piorando um pouquinho, como já era previsto”.
Segundo a pesquisa da Febraban, há o consenso do mercado em relação ao patamar em que a Selic fechará 2011, contudo, as opiniões sobre quando o Banco Central deverá começar um novo ciclo de aperto monetário ainda estão divididas. Segundo ele, uma parte dos consultados pela pesquisa da Febraban espera que o Copom (Comitê de Política Monetária) mantenha a Selic em seu atual patamar, de 10,75% ao ano, na primeira reunião da autoridade em 2011, enquanto que outra parte avalia que a autoridade elevará o juro básico brasileiro em 25 pontos-base, para 11% ao ano.
Cabe ainda destacar que nas pesquisas de agosto, setembro e outubro, as projeções para a Selic em 2011 se mantiveram em 11,25% ao ano, saltando 1 ponto percentual nesta apuração de dezembro.
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As medidas tomadas pelo governo para restringir o crédito no País, segundo Sardenberg, têm influência nas projeções para a taxa Selic no próximo ano. Segundo ele, as expectativas “seriam sem dúvida maiores”, caso o governo não tivesse adotado tais medidas, como a elevação do compulsório.
Balança comercial
“A gente tem a expectativa de que o real continue apreciado em relação ao dólar”, disse Sardenberg. Por conta disso, segundo ele, o mercado segue reduzindo projeções para a balança comercial interna, sendo esperado que ele feche 2011 em US$ 7,8 bilhões e atinja os US$ 5,3 bilhões em 2012.
“Este resultado está influenciado pela variação do preço das commodities. O número comporta um cenário até que otimista, visto que as exportações continuam crescendo na cena interna”, revelou o economista.
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Déficit em conta corrente
Em relação ao déficit em conta corrente, a pesquisa da Febraban mostrou que ele deve ser de US$ 67 bilhões em 2011, acima das projeções de US$ 64 bilhões divulgadas pelo BC. Já em 2012, o déficit em conta corrente deverá chegar aos US$ 70,9 bilhões.
“Não há nenhum risco de financiamento do déficit em conta corrente nestes dois anos. As entradas financeiras são mais que suficientes para financiar este déficit, além de permitir o governo a fazer uma reserva”, revelou Sardenberg.
Economia norte-americana
De acordo com o economista, o estudo da Febraban mostrou uma perspectiva de crescimento de 2,6% para o PIB norte-americano em 2011, contra 2,3% no cenário anterior. Para 2012, a projeção é de alta de 3% para a economia do país. “É um ligeiro aumento no otimismo em relação à economia norte-americana. O cenário continua mais pessimista em relação à Europa. A expectativa é de um crescimento modesto”, completou.