Febraban: mercado eleva perspectivas para taxa Selic e IPCA em 2008

Em contrapartida, bancos consultados prevêem maior crescimento do PIB; saldo comercial deve cair neste ano

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SÃO PAULO – A Pesquisa Febraban de Projeções e Expectativas de Mercado divulgada nesta terça-feira (29) mostrou que a última ata do Copom (Comitê de Política Monetária) teve grande impacto sobre a revisão das perspectivas do mercado em relação ao cenário macroeconômico brasileiro.

Mesmo assim, as expectativas para o crescimento da economia no país seguem permeadas pelo otimismo. A projeção média dos entrevistados pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008 ficou em 4,66%, enquanto que em março, o consenso apontava para uma expansão de 4,33%.

Em contrapartida, as projeções para o avanço do PIB em 2009 sofreram leve retração, ao passarem de 4,20% para 4,19%. O maior consumo das famílias, que deve atingir 6,06% neste ano, deve continuar sendo o grande motivador do crescimento econômico brasileiro.

Projeções maiores para inflação

Entretanto, não são apenas as perspectivas de crescimento da economia que cresceram na análise da Febraban. As projeções compiladas pela federação para o cenário inflacionário também foram elevadas, como as direcionadas ao IGP-M (Índice Geral Preços – Mercado), que deve encerrar 2008 a 6,12%, enquanto que o anteriormente esperado era uma alta de 5,22%.

Em linha com o esperado para o IGP-M, as projeções para o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) de 2008 também sofreram acréscimo, ao subir de 4,48% para 4,75%. Por sua vez, as expectativas para o índice em 2009 mostraram acréscimo mais modesto, ao passarem de 4,30% para 4,35%.

Selic a 12,75% no final do ano

Com base em tais perspectivas ao cenário inflacionário brasileiro e no arrocho monetário iniciado pelo Copom, a pesquisa revelou uma inflexão na visão dos analistas consultados pela Febraban quanto ao rumo da taxa Selic. Enquanto que uma estabilidade do juro era antes dada como certa, agora, o cenário de alta é visto como mais provável.

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As projeções majoritárias das instituições financeiras dão conta de que a taxa básica de juro brasileira encerre este ano ao patamar de 12,75% ao ano, o que implica aumento de 100 pontos-base ainda pela frente. No entanto, tal ciclo de alta é visto pelos analistas como de caráter transitório, dado que novos cortes devem ser vistos em 2009.

Saldo comercial menor

No que concerne ao cenário internacional, as instituições consultadas pela Febraban esperam que o crescimento nas importações se sobreponha à expansão das exportações, implicando em uma redução no superávit da balança comercial para US$ 24,48 bilhões neste ano.

“Em contrapartida, o fluxo de Investimento Direto Estrangeiro continua favorável, sendo a média esperada para 2008 de US$ 29,41 bilhões”, afirma a Febraban.

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Confira as projeções para as principais variáveis macroeconômicas:












































Variáveis Macroeconômicas 2008 2009
Crescimento do PIB 4,66% 4,19%
Produção Industrial 5,27% 4,61%
IPCA 4,75% 4,35%
IGP-M 6,12% 4,40%
Taxa de câmbio R$ 1,74 R$ 1,83
Risco Brasil 210 pontos 156 pontos
Saldo Balança Comercial US$ 24,48 bilhões US$ 20,44 bilhões
Dívida Líquida Setor Público (% PIB) 41,48% 39,97%
Reservas Internacionais US$ 207,74 bilhões US$ 218,40 bilhões
Superávit Primário (% PIB) 2,93% 3,51%