Fatores macroeconômicos do Brasil garantem alta da Bolsa, diz Gradual

Dólar e demanda interna parecem convergir e dar espaço para queda do juro, trazendo maior apelo à renda variável

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SÃO PAULO – A forte alta registrada pelo Ibovespa neste ano surpreendeu, e na mesma proporção despertou dúvidas na cabeça de muitos agentes de mercado, que, devido ao cenário de instabilidade global, se perguntam se esse avanço é fundamentado. Para essa questão a Gradual analisa três pontos: demanda, câmbio e, sobretudo, o juro.

Ao contrário do que se espera para a economia brasileira neste ano, a renda variável tem tido um desempenho positivo. Enquanto alguns analistas projetam uma retração para o PIB (Produto Interno Bruto) a bolsa continua a registrar “ganhos estonteantes”, ressaltam os analistas.

Somente no período de janeiro a maio de 2009 o Ibovespa acumula 38% de alta. Mas o que está por trás dessa performance surpreendente do benchmark? Entre as razões, “a posição relativamente melhor do país em relação a outros emergentes, e ao próprio Brasil de alguns anos atrás”, ressalta a Gradual.

Outras variáveis de peso

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Porém existem outros pontos relevantes que merecem atenção: a valorização do real frente ao dólar e as reservas cambiais do Bacen (Banco Central do Brasil) que atingiram o patamar de R$ 203 bilhões no último dia 18 de maio, dispondo assim de recursos para aliviar os impactos externos relativos à crise.

Segundo os analistas, o volume de reservas motiva críticas por parte de alguns economistas, uma vez que pode parecer absurdo manter uma aplicação que tende a se desvalorizar nos próximos anos, já que o Fed (Federal Reserve) tem conduzido uma política monetária expansionista (aumentando em grande medida a oferta de dólares no mercado norte-americano e também internacional).

No entanto, a posição da instituição parece ser correta para as condições atuais: “ficando comprado em dólar quando preciso, ou vendido se necessário”. Essa atitude é vista com bons olhos, uma vez que permite uma maior flexibilização da taxa de juros (Selic), já que o governo não tem que aumentá-la para fechar as suas contas externas, como em alguns anos atrás. Fato que, por si só, minaria qualquer retomada da atividade no país.

Como o sistema que vigora atualmente é o de metas de inflação o Banco Central baseia suas decisões em relação a essa variável. Com a demanda em trajetória descendente, os juros tendem também a cair. O dólar também é uma variável de peso, uma vez que as maiorias dos bens adquiridos pelas empresas vêm de fora, aumentando assim seus custos e impactando sobre o preço dos seus produtos finais.

Relação entre taxa de juro e bolsa

Além disso, o aumento da não utilização da capacidade instalada possibilita que o país cresça sem que provoque uma pressão de custo sobre a inflação. Mas qual seria a ligação entre a queda da Selic e a alta da bolsa?

“Ao comprar uma ação de uma empresa o indivíduo adquire a propriedade privada dos ganhos futuros desta empresa”, explica a Gradual. Sendo assim, “qual seria o preço justo de uma ação? O preço justo dessa ação é a valorização esperada deste papel de hoje até um futuro predeterminado, comparado às outras opções possíveis de investimento”. Por exemplo: títulos de dívida pública, ou privada, como as Notas do Tesouro Nacional, ou o CDB (Crédito de Depósito Bancário), que tem seu retorno atrelado ao movimento da taxa de juro.

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Então se o juro começa a cair o seu retorno também recua, na mesma proporção, aumentando assim a atratividade de investimentos em renda variável. Basicamente, o juro cai e a ação começa a subir, “uma vez que o ganho potencial entre o ganho esperado entre a valorização daquele ativo e os juros aumentou”, completam os analistas da corretora.

Expectativa para 2009

Portanto, desconsiderando o risco cambial, a redução da Selic estimulou a volta dos estrangeiros à bolsa, além de incentivar também a pessoa física, que cada vez mais se torna participante do mercado (atualmente 32% do volume bursátil). Dois fatores que dão forte base ao desempenho do benchmark neste ano, sem deixar de considerar outras variáveis. Concluindo, os mercados estão subindo impulsionados em grande parte por um motivo negativo (queda da atividade econômica), que deu mais espaço para a flexibilização monetária, sendo assim a Gradual reitera suas expectativas de atividade ruim neste ano no Brasil.