Fatores extraordinários impulsionaram PPI nos E.U.A.

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

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A alta na inflação norte-americana, medida pelo índice de preços ao produtor (PPI) divulgado hoje pela manhã, surpreendeu os mercados e contribuiu para a forte queda dos índices acionários em todo o mundo. O aumento de 1,1% no PPI de janeiro foi o mais forte desde os 1,3% registrados em setembro de 1990, levando a taxa anual a 4,8%, frente aos 3,6% observados em dezembro.
Os principais responsáveis pelo repique inflacionário foram os custos de energia, que subiram 3,8% no mês – a maior alta mensal desde março de 2000, e os custos de alimentos, que cresceram 0,8% no período. Os custos de energia foram fortemente afetados pela alta nos preços do petróleo e pela crise de energia na Califórnia, que impulsionou as tarifas de energia elétrica. Excluindo-se estes grupos, os preços ao produtor subiram 0,7% em janeiro, a maior alta desde setembro de 1999. A expectativa do mercado era 0,1%. Este número, o Core PPI , que é o mais utilizado pelos analistas como indicador da inflação ao nível do produtor – já que exclui itens voláteis como energia e alimentação, foi o catalisador para a queda dos mercados, pois indicou o crescimento da inflação dentro de um cenário de forte desaceleração da economia.
Porém, analisando-se os números de forma mais detalhada, fica claro que boa parte do aumento de 0,7% do Core PPI deve-se ao forte reajuste ocorrido no preço dos cigarros – em função da imposição de novos impostos por parte do governo, e ao aumento no preço de veículos – resultante das fortes vendas observadas neste segmento em dezembro e janeiro. Excluindo-se estes itens, o Core PPI teria fechado o mês em 0,3%, ainda acima das expectativas dos analistas. A prática de excluir os principais causadores da inflação registrada em janeiro não é recomendada, porém nos dá a indicação que a maior parte dos fatores responsáveis pela alta de janeiro não se repetirá em fevereiro. Portanto, ainda é cedo para acreditar que a inflação esteja apresentando uma clara tendência de alta nos E.U.A, o que somente poderá ser confirmado com os números de fevereiro.
A reação dos mercados, no entanto, pode ser encarada como natural, dado que as últimas informações disponíveis, incluindo os resultados ruins divulgados pela Nortel, Dell e HP e o anúncio do PPI trazem, ao menos no curto prazo, a pior combinação possível: aumento da inflação e forte desaceleração da atividade econômica.

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