“Fardo pesado” de 2015 pode levar a um cenário ainda pior para este ano, diz BofA

BofA reduziu expectativa do PIB de 2015 de contração de 3,3% para queda de 3,8%; revisão do PIB deve levar a rebaixamento da estimativa para 2016, hoje já em previsão de queda de 3,5%, disse o banco, para até 4,4%

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SÃO PAULO – Em relatório entitulado um “carregando um fardo pesado”, o Bank of America Merrill Lynch revisou a sua previsão de contração da economia para 2015, que passou de 3,3% para 3,8%, em meio à surpresa ruim do PIB do terceiro trimestre, dados da atividade abaixo das expectativas e inflação de dois dígitos em 2015.

“Nós ainda acreditamos que o ponto de virada na recessão depende de uma solução política; no entanto, o ruído persistente política em meio ao processo de impeachment, a mudança de ministro da Fazenda  eo curso da Operação Lava Jato indica que na houve melhora no horizonte e que a recessão deve se prolongar”, afirmam os economistas David Beker e Ana Madeira.

Os economistas ainda esperam que o PIB contraia 3,5% em 2016, com a atividade começando a se recuperar somente no quarto trimestre deste ano. Porém, apesar de manter a expectativa, os riscos de contração existem dada a falta de resoluções no fronte político e o efeito negativo do ano passado.

Além disso, a incerteza sobre o tamanho do ajuste fiscal combinado com outros aumentos das taxas de juros este ano aumenta as chances de um cenário mais negativo se materializar. 

“Quando nós revisamos a nossa projeção para o PIB de 2016 para contração de 3,5%, em outubro, as expectativas do mercado estavam em torno de contração de 1,4%. As expectativas foram rapidamente em declínio, para 3% na semana passada”, afirmam os economistas. 

Beker e Madeira dizem ainda que um atraso no ajuste fiscal poderia levar a níveis de confiança mais baixos, a saídas de capital crescentes, levando a pressões negativas sobre o PIB e de intensificação da recessão. Sob este cenário, o PIB poderia contrair 4,4% este ano. Os economistas destacam a fala de Barbosa mostrando compromisso com o ajuste fiscal e um superávit primário de 0,5% em relação ao PIB. Contudo, a tarefa de convencer os mercados é dura de ser realizada, ainda mais levando em consideração as constantes revisões do superávit durante 2015 e 2016.  

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.