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A abertura do mercado na B3 nesta sexta-feira (31) foi adiada após problemas operacionais na Câmara, com as negociações começando aos poucos a partir das 12h30 (horário de Brasília), primeiro com índices futuros, depois com demais ativos depois das 12h45. O episódio acontece em um dia considerado sensível para os investidores no Ibovespa e outros índices, por marcar o encerramento do mês.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que o atraso tende a concentrar ordens que seriam executadas ao longo da manhã, aumentando o potencial de volatilidade quando as negociações forem retomadas. Além disso, destacam que a interrupção afeta a formação de preços e pode gerar desconforto entre investidores locais e estrangeiros.

“Sem precedentes”: mercado repercute B3 fora do ar e impactos futuros para a Bolsa
“Já vi dar problemas no final do dia, mas que não afetou a liquidação”, disse um especialista em renda variável

B3 prevê reabertura do mercado a partir de 12h30 após problemas em Câmara
B3 informou nesta sexta que atrasou a abertura do pregão de listados devido a problemas relacionados ao envio de arquivos e à abertura da Câmara B3
Para um trader ouvido pela reportagem, o principal prejuízo imediato é a perda da janela mais movimentada do pregão. “Para o trader é ruim porque perde uma janela de operações com maior volume, que é pela manhã, ainda mais sendo sexta-feira. Mas acredito que deve gerar uma volatilidade atípica nessa abertura”, afirmou.
Segundo ele, investidores que carregam posições por mais de um dia podem enfrentar riscos adicionais, já que os mercados internacionais continuaram operando normalmente durante a paralisação no Brasil. “Como os mercados lá fora já estão abertos, isso pode gerar um gap na abertura aqui”, acrescentou.
Na avaliação de André Matos, CEO da MA7 Capital, o primeiro passo é diferenciar a natureza do problema. Para ele, trata-se de uma questão operacional e não de um evento ligado aos fundamentos da economia brasileira.
“O primeiro ponto é entender que isso é um problema operacional, não um problema de economia, e a própria B3 já esclareceu que não houve ataque. O atraso veio do envio dos arquivos e da abertura da Câmara de compensação, que é a estrutura que registra, garante e liquida as operações”, afirmou.
Matos ressalta, contudo, que os efeitos práticos são relevantes para o funcionamento do mercado. Segundo ele, a ausência de negociações impede que investidores tenham uma referência clara dos preços e obriga o acompanhamento de indicadores indiretos, como os ADRs de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos e a dinâmica do dólar no exterior.
“Preço de mercado não é só um número, é a soma das opiniões de quem está comprando e vendendo, e sem negociação o investidor fica sem termômetro. Na curva de juros, esse silêncio incomoda mais, porque é ali que se precifica a expectativa para a Selic. Estamos a poucos dias da reunião do Copom, com dados novos de inflação e emprego para serem digeridos”, disse.
O executivo também chama atenção para o fato de a interrupção na B3 ocorrer no último pregão de julho, período em que fundos costumam realizar marcações de carteira e são formados os preços de ajuste de contratos futuros. Na sua avaliação, uma sessão encurtada pode reduzir a liquidez e tornar os preços de fechamento menos representativos do que em um dia normal.
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“Você tem uma sessão comprimida em menos horas, o que costuma alargar spreads e deixar os preços de fechamento menos representativos. Por isso eu trataria os números de hoje com uma dose extra de cuidado”, afirmou. Segundo ele, o mecanismo de leilão contínuo utilizado pela bolsa ajuda justamente a preservar a formação de preços em situações extraordinárias.
Na mesma linha, Danilo Coelho, economista, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, acredita que a origem do problema está relacionada a processos operacionais necessários para a abertura do mercado.
“Foi basicamente, provavelmente, um problema operacional, muito mais voltado à inclusão de arquivos no sistema para poder seguir com a abertura. Passando dessa parte, deve voltar a negociar normalmente”, avaliou.
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Apesar disso, Coelho considera que o episódio pode afetar a percepção de segurança dos investidores, principalmente estrangeiros. Para ele, falhas desse tipo reforçam uma visão negativa sobre a infraestrutura do mercado brasileiro.
“Infelizmente isso acaba deixando os investidores mais inseguros, principalmente os investidores internacionais, que já olham para o Brasil como um mercado emergente. Essas falhas operacionais não deveriam ocorrer. Acredito que deveria haver sistemas paliativos para permitir a abertura da bolsa em situações como essa”, afirmou.
O economista também prevê um aumento da volatilidade após a retomada dos negócios na B3. Segundo ele, as ordens que seriam executadas durante toda a manhã tendem a se acumular, criando uma concentração de negócios em um período mais curto.
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“É óbvio que as negociações vão ficar mais limitadas. Podemos ter uma volatilidade muito grande na abertura porque todo tipo de negociação que deveria ocorrer no período da manhã ficou represado. Isso tende a gerar um nível de volatilidade maior quando ocorrer a abertura, provavelmente no período da tarde, se o problema for resolvido até lá”, concluiu.