Destaques da Bolsa

Fala de diretor “desanima” Petrobras; Vale dispara 6% e bancos sobem com novidade sobre JCP

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quarta-feira

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SÃO PAULO – O dia é animado para as ações do Ibovespa, com apenas sete ações registrando queda nesta sessão. O índice registra alta de cerca de 2%, com a melhora do cenário externo ofuscando rumor de possível corte de rating do Brasil em julho e inflação acima do esperado.  E as blue chips ganham destaque: Por outro lado, as ações da Petrobras diminuem os ganhos. Confira o desempenho:

Petrobras (PETR3, R$ 14,15, +0,71%; PETR4, R$ 13,05, +0,62%)
As ações da Petrobras chegaram a subir mais forte hoje, mas diminuíram os ganhos no início da manhã, em meio à afirmação do diretor de Gás da estatal, Hugo Repsold, de que acha “muito difícil” que o Plano de Negócios 2015-2019 da Petrobras seja levado para aprovação do Conselho de Administração da petroleira na reunião prevista para o dia 26 de junho, pois alguns detalhes ainda precisam ser definidos.

Ainda em destaque, está a entrevista de dois procuradores federais da Operação Lava Jato em Curitiba, que afirmaram ver a Petrobras como vítima e dizem que seria difícil considerar a empresa como autora do esquema multibilionário de propina. Carlos Lima e Deltan Dallagnol são, respectivamente, o estrategista e o coordenador de um grupo de 9 procuradores federais que formam a força-tarefa da Lava Jato. “A Petrobras é vítima pois o caixa dela foi lesado, arca com toda a propina. A gente não encontrou nenhuma evidência de que existia um conluio”, disse Dallagnol. 

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O Ministério Público Federal quer que a empreiteira OAS indenize a Petrobras em R$ 211,8 milhões, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. A força-tarefa da Operação Lava Jato requereu à Justiça Federal, em alegações finais, a condenação da cúpula da empreiteira por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. 

Além disso, no mercado de commodities, o barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate) sobe 2,44%, a US$ 61,61 ao passo que o barril do Brent sobe 1,8%, a US$ 66,05.

Vale (VALE3, R$ 21,21, +6,16%; VALE5, R$ 17,80, +4,77%)
As ações da Vale registraram forte alta nesta sessão. A mineradora está em negociações com vários investidores para vender seu projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina, e um acordo poderia ser selado até outubro, afirmou o secretário argentino de Mineração, Jorge Mayoral, em entrevista à Reuters nesta terça-feira. A Vale suspendeu as operações no projeto em 2012, depois de não conseguir obter benefícios fiscais do governo argentino. 

“Se a Vale efetivar esta venda será uma notícia muito positiva. Como o investimento da empresa foi muito relevante, os prováveis valores de venda devem ser elevados. Neste momento de forte queda nos preços de seus produtos, principalmente do minério de ferro, a Vale tem afirmado que a venda de ativos é uma boa opção para elevação do caixa e redução do endividamento”, afirmou a Planner Corretora. Vale destacar a alta do preço do minério de ferro na China, de 1,12%, a US$ 65,39. 

Além disso, a China deverá reduzir sua produção de minério de ferro em 2015 para menos de 200 milhões de toneladas, ante 240 milhões em 2014, estimou nesta quarta-feira o presidente-executivo da mineradora, Murilo Ferreira, antes de participar de um evento no Rio de Janeiro. Lá fora, as ações de mineradoras também registram alta, como BHP Billiton (+3,5%) e Rio Tinto (+3,8%). A Bradespar (BRAP4, R$ 11,79, +6,12%), holding que detém participação na Vale, sobe mais de 6%.

CSN (CSNA3, R$ 6,04, -1,15%)
Além do noticiário internacional mais positivo, o Itaú BBA aumentou as estimativas para o Ebitda em 2015 de R$ 3,3 bilhões para R$ 3,8 bilhões e em 2016 de R$ 3,9 bilhões para R$ 4,1 bilhões. Porém, o banco mantém recomendação de cautela sobre as ações da CSN. 

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Por outro lado, além da CSN, Usiminas (USIM5, R$ 4,78, -0,62%) e Gerdau (GGBR4, R$ 8,41, -2,44%) viraram para baixo.

Bancos
Após uma queda na véspera, as ações de bancos dispararam na sessão desta quarta-feira em meio ao cenário de maior otimismo externo. Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,21, +3,06%), Bradesco (BBDC4, R$ 28,23 +3,48%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,76, +2,93%) registraram forte alta.  

A alta é atribuída à notícia do Valor Econômico de que o ministério da Fazenda não estaria disposto a realizar a tributação de lucros e dividendos obtidos por investidores estrangeiros e a decretar o fim do juros sobre o capital próprio. Isso porque a medida afastaria investimento externos e desestimularia investimentos por parte de empresas locais. Desde o fim de dezembro, há rumores de que o JCP pode ser extinto. 

Brasil Agro (AGRO3, R$ 10,90, +5,31%)
A Brasil Agro chegou a ver as suas ações subirem 14% após a companhia assinar compromisso de venda de fazenda por um valor de R$ 270 milhões, mas diminuiu fortemente os ganhos. A fazenda Cremaq, com 27.745 hectares, havia sido adquirida em 2006, foi vendida por subsidiária, segundo comunicado ao mercado. Este é o maior patamar desde junho de 2013. De novembro para cá, a ação já subiu 66%. 

O comprador integralizou pagamento inicial de 25% e o restante será pago em até 90 dias. Do ponto de vista contábil, valor da fazenda nos livros da companhia é de R$ 63,4 milhões. 

Exportadoras
Em um dia de euforia para o Ibovespa e apesar do dólar ganhado força após desabar mais de 1% na abertura, as as ações de empresas exportadoras seguiram em baixa. Suzano (SUZB5, R$ 16,19, -1,16%) e Fibria (FIBR3, R$ 42,25, -0,82%), que possuem receita atrelada ao dólar registraram queda. 

Por outro lado, a Embraer (EMBR3, R$ 23,42, +1,52%) virou para alta. No noticiário da companhia, a Bloomberg informou que a companhia avalia fechar planta de jatos executivos na China, uma unidade que anteriormente fabricava aeronaves comerciais, porque as vendas têm sido lentas, disseram fontes com conhecimento da situação.

A planta de Harbin entregou dois jatos executivos Legacy neste ano, segundo uma fonte, que pediu anonimato porque os detalhes não são públicos. A Embraer, que tem sede em São José dos Campos, no Brasil, projetou para 2015 a entrega de até 130 jatos executivos, que a empresa produz também domesticamente e nos EUA.

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Oi (OIBR4, R$ 6,27, +1,79%)
As ações da Oi amenizaram após registrarem fortes ganhos. A companhia realizou hoje conference call no exterior com investidores para apresentar sua captação externa em euros, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado. mercado não comenta qual o montante de bônus a serem emitidos na moeda europeia. Ontem, a companhia concluiu roadshow que passou por Londres, Alemanha, Amsterdã e termina em Paris. Uma das fontes ouvidas informou que no ano que vem vencem 1 bilhão de euros em bônus.

Educacionais
As ações das companhias de educação registraram ganhos fortes na Bovespa. Estácio (ESTC3, R$  20,07, +5,91%), Kroton (KROT3, R$ 12,00, +0,84%), Ser Educacional (SEER3, R$ 14,48, +1,97%) e Anima (ANIM3, R$ 22,60, +0,58%) registraram ganhos. 

Segundo apurado pelo jornal Valor, o ministério da Educação negocia com a Fazenda a criação de cerca de 100 mil vagas no Fies no segundo semestre. O novo plano a ser anunciado nos próximos dias deverá ter taxa anual de juros de 6,5%, prazo menor para amortização e será voltado apenas aos alunos com renda média per capita de até três salários mínimos.  

Rumo (RUMO3, R$ 1,29, -0,77%)
Após a forte queda de 6,47% na véspera, logo após o anúncio do pacote de concessões de R$ 198,4 bilhões, os papéis da Rumo registraram recuperação, mas voltaram a virar pra queda, ficando abaixo dos 3,85% na máxima do dia. De acordo com o Credit Suisse, junto com a Arteris, a empresa é uma das mais beneficiadas pelo pacote.

Já para o Bradesco BBI aponta que as ações da CCR (CCRO3, R$ 15,50, +0,98%) e da Arteris (ARTR3, R$ 10,00, +2,56%) como as mais beneficiadas no setor de infraestrutura, dentro da Bovespa. Os respectivos preços-alvos estabelecidos por eles para os dois papéis é, respectivamente, R$ 17,00 e R$ 14,00 – um upside de 10,75% para a primeira e 43,59% para a segunda, levando em consideração o fechamento do pregão da última terça.

No caso da CCR, a equipe do Bradesco enxerga uma boa possibilidade par expandir seu reinado na infraestrutura brasileira. A empresa deve começar a desalavancagem em 2016, liberando entre R$ 8 e R$ 10 bilhões para investir em novas concessões durante os próximos 2 ou 3 anos. “Tendo em vista a dimensão do programa anunciado e a improvável participação empreiteiras pesadas nos próximos leilões, a CCR pode escolher as melhores estradas (15 novas concessões, R$ 49,5 bilhões em capex) e aeroportos (4 concessões, R$ 8,5 bilhões). De acordo com nossas estimativas, cada R $ 1 bilhão investido com um retorno desalavancado de 10% pode aumentar nosso preço alvo de R$ 0,14 [sobre o papel CCRO3]”, explicam.