Facebook e Google não podem ser comparados, aponta professor

Google é uma empresa consolidada no mercado e possui uma diversificação de negócios muito maior, argumenta Ricardo Torres

Publicidade

SÃO PAULO – Em apenas sete anos de vida, o Facebook passou de uma pequena empresa destinada a alunos de universidade para uma companhia com mais de 500 milhões de usuários, avaliada em cerca de US$ 50 bilhões.

Tais valores chegaram ao conhecimento do mercado por meio de relatório do Goldman Sachs, que recentemente adquiriu uma participação na empresa, enviado a seus clientes interessados em participar de um fundo de investimentos de US$ 1,5 bilhão na companhia.

Desconfiança
Enquanto o otimismo toma conta de muitos investidores – o aporte mínimo dos clientes do Goldman Sachs na compahia foi estipulado em US$ 2 milhões -, a empresa ainda não provou a alta capacidade de geração de caixa que justifique tal avaliação, segundo o olhar de muitos analistas de mercado.

Conforme divulgado por investidores que receberam o relatório do Goldman Sachs, a empresa gerou um lucro de US$ 355 milhões nos nove primeiros meses do ano, enquanto a receita no período foi de US$ 1,2 bilhão.

Como uma empresa totalmente voltada à internet, é comum verificar comparações com outra gigante – o Google. No entanto, uma análise mais detalhada das empresas pode apontar na direção contrária.

Google: uma empresa diferente
Os números das empresas, tanto em termos atuais quanto em estágio menos avançado do Google, diferem significativamente. O Google atingiu o valor de mercado de US$ 50 bilhões em 2005, quando a companhia reportou uma receita de US$ 6,13 bilhões e um lucro de US$ 1,46 bilhões.

Continua depois da publicidade

No acumulado dos nove primeiros meses de 2010, a companhia famosa pelo sistema de buscas arrecadou US$ 20,88 bilhões e reportou um lucro líquido de US$ 5,96 bilhões.

Além disso, as atividades das empresas não podem ser consideradas da mesma forma. “Não são companhias similares. O Google tem uma diversificação muito grande e um acesso a ferramentas diferenciadas”, apontou Ricardo Torres, professor de finanças da BBS (Brazilian Business School).

Deste modo, o professor indica que a diferença principal reside no fato de que o Facebook está sujeito a modas, enquanto o Google é uma empresa já consolidada no mercado.

Continua depois da publicidade

MySpace em crise
Por fim, vale ressaltar que a competição no ambiente da internet é muito acirrada, podendo surgir outro produto similar que roube o número de assinantes do site. “Alguma outra rede social poderá diminuir o uso do Facebook”, alertou Torres.

O MySpace, que já foi uma das principais redes sociais no mercado norte-americano, ultrapassando a marca de 100 milhões de usuários, foi vítima deste processo, uma vez que o próprio Facebook é apontado como o principal responsável pela derrocada da empresa, a qual demitirá 50% dos funcionários e poderá ser vendida a outra empresa – especula-se que seja o Yahoo! -, divulgou recentemente o blog All Things Digital, associado ao The Wall Street Journal.

Ademais, o MySpace, que era o quinto mais visitado nos EUA em 2009, na passagem anual caiu para o sétimo no ranking de acessos, segundo pesquisa elaborada pela Experian Hitwise. 

Continua depois da publicidade

Por outro lado, o Facebook, na terceira colocação no ano passado, alcançou o patamar de site mais visitado em 2010, ultrapassando o Google – caso sejam descontados os acessos do YouTube, que permanece como o mais acessado do ano.