Desafios no radar

EzTec (EZTC3) diz conviver com inflação há mais de um ano e prevê novas “dificuldades” em 2022

Companhia destacou em teleconferência prever certas “dificuldades na cadeia de suprimentos” em 2022; ação, contudo, registra ganhos

Por  Augusto Diniz -

A EzTec (EZTC3) teve um resultado do quarto trimestre de 2021, divulgado na noite da última quinta-feira (17), considerado fraco por analistas de mercado, impactado por pressão de inflação e deterioração de margens.

Contudo, a ação registrou ganhos na sessão desta sexta-feira (18), com alta de 7,15%, a R$ 17,83, mas em uma sessão de alta para as construtoras como um todo.

Em teleconferência com analistas de mercado, a companhia destacou pontos do seu resultado dos últimos três meses e também destacou fontes de pressão daqui para frente.

No ano passado como um todo, a EzTec lançou R$ 1,91 bilhão em novos projetos, acumulando nos anos 2020 e 2021 R$ 3,1 bilhões de lançamento em novos projetos. O resultado é 23,5% abaixo da borda inferior da guidance (projeção) apresentada.

Covid-19, inflação e elevação das taxas de juros foram fatores apontados pela companhia como principais de não ter chegado ao resultado proposto, mas relatou que buscou reavaliar os lançamentos com melhor retorno e velocidade de vendas, “entendendo que o volume de lançamentos realizados está adequado a situação econômica do país”.

Na teleconferência, a construtora ressaltou que parte da situação da inflação tem sido compensada através de empreendimentos lançados com margens mais altas do que a média.

Empresa prevê “dificuldades na cadeia de suprimentos” em 2022

Flávio Ernesto Zarzur, presidente do conselho de administração da EzTec (EZTC3), ressaltou que “mal acabou a pandemia, veio a guerra (da Ucrânia). Teremos tempos de dificuldades na cadeia de suprimentos, dificuldade no humor dos clientes e no humor de executar nosso planejamento, mas não vamos distanciar do caminho que estamos e dos princípios que temos”.

Marcelo Ernesto Zarzur, diretor-presidente da empresa, pelo seu lado, disse que a empresa está atenta às diversidades, como a guerra (da Ucrânia), a Covid-19 e a eleição.

Com relação ao custo de construção, a empresa explicou que tem 30 canteiros de obras na mesma cidade (São Paulo), concentração esta que facilita reportar e gerir expectativas futuras em termos de fornecedores, logística e projetos.

Estoques prontos baixos

Os estoques prontos da Eztec reportados no balanço de 2021 são os mais baixos registrados pela empresa. O índice é de 12% no segmento de unidades residenciais. Já 58% dos estoques na área residencial são lançamentos ou estão em construção.

Sobre o resultado da receita líquida dos últimos três meses de 2021, a empresa ressaltava que “uma menor venda trimestral de unidades performadas” é fruto de “uma baixa formação de estoque pronto, oriundo de projetos entregues em 2021, em média 95% vendidos”.

Nesse 1T22, a empresa afirma ter R$ 13,6 milhões em banco de terrenos, envolvendo 46 áreas – cerca da metade deste índice está localizada na Zona Sul de São Paulo.

Importância da parceria com a construtora Adolpho Lindenberg

A EzTec reforçou junto a analistas de mercado a importância da sociedade firmada em fevereiro com a construtora Adolpho Lindenberg, com prazo de duração de seis anos e investimentos diretos das partes no valor estimado de R$ 130 milhões nos primeiros dois anos.

Os empreendimentos desenvolvidos por ambas empresas no período tem expectativa do VGV (valor geral de vendas) alcançar R$ 1,75 bilhão. A EzTec vê grande oportunidade de negócios com a parceria.

Análise dos balanços

Os analistas do Bradesco BBI apontaram verem os resultados como mistos em geral, embora marginalmente negativos, pois a empresa apresentou uma receita líquida consideravelmente mais fraca, impactando negativamente as outras linhas em termos absolutos.

“Não obstante, a Eztec ainda demonstrou resiliência ao manter suas margens bruta e líquida acima dos pares, dado que seus recebíveis estão indexados ao INCC e IGP-DI, que apesar de desacelerar no 4T21, ainda fornecem um amortecedor para a empresa”, avaliam os analistas.

Entretanto, a companhia deverá enfrentar um ano desafiador em 2022, refletido em sua opção de não divulgar nenhuma orientação, já que o segmento de renda média – o principal segmento de negócios da empresa – é mais sensível à deterioração das condições macro. O BBI, contudo, tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a ação, com preço-alvo de R$ 35, ainda um potencial de valorização de 110% em relação ao fechamento da véspera.

O Credit Suisse ressaltou que segue cauteloso com o papel, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 24, ou potencial de alta de 44% em relação ao fechamento de ontem. Os analistas destacam que os custos da empresa estão rodando 50% acima do avanço do INCC e o nível de receita líquida foi impactado principalmente em função das vendas fracas de unidades acabadas, enquanto a margem bruta também contraiu.

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