Exportadoras sobem mais de 3%, enquanto imobiliárias e bancos caem forte

Imobiliárias recuam forte diante de expectativa de Selic mais alta; OGX cai 10% com debandada de credores e pedido negado da ANP

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SÃO PAULO – Após repique da véspera, o Ibovespa volta ao campo negativo nesta quarta-feira (29), dando continuidade a sua oitava queda em dez pregões. Após chegar a cair 1,44%, o índice ganhava força às 14h23 (horário de Brasília) e registrava queda de 0,22%, a 47.736 pontos, pressionado pelas imobiliárias, que recuavam forte devido, sobretudo, ao ajuste na taxa de juro da Turquia, Índia e África do Sul.

Do lado positivo, destaque para a Vale (VALE3; VALE5), que ganha forças e vê seus papéis liderarem os ganhos do benchmark. Os ativos ordinários registravam ganhos de 4,57%, a R$ 33,20, enquanto os preferenciais subiam 3,36%, para R$ 29,85. As ações atigem o segundo dia consecutivo de alta, em meio à forte demanda pelas debêntures da mineradora. Segundo operadores, a operação foi a mais bem-sucedida em muitos meses, captando R$ 750 milhões em títulos de até quinze anos, sem imposto.

A demanda foi tão forte que a recomendação dos profissionais do mercado era que os investidores aceitassem uma redução nos juros pagos. A série mais curta, com vencimento em 15 de janeiro de 2021, que pagava juros nominais de 6,7% ao ano mais a variação do IPCA estava sendo cotada a taxas que oscilavam entre 6% e 6,4%.

Exportadoras lideram ganhos
Além da Vale, o destaque na ponta positiva fica para as empresas com perfil exportador, que são favorecidas pelo desempenho do dólar nesta sessão, que chegou a subir 0,80% no início da tarde e bater a casa dos R$ 2,45. Com isso, as empresas do setor de papel e celulose, Fibria (FIBR3, +1,44%, R$ 26,03) e Suzano (SUZB5, +2,06%, R$ 9,41) ficam entre os maiores ganhos.

Ainda do lado positivo, chama atenção o setor siderúrgico, com Gerdau (GGBR4, R$ 16,98, +1,74%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 21,14, +1,49%) e Usiminas (USIM5, R$ 12,31, +0,65%).

Imobiliárias são pressionadas pela expectativa de juros maiores
A alta no juro deveria aliviar as tensões nos emergentes, mas, do outro lado, começa a pesar a sensação de que o Brasil terá que elevar ainda mais a Selic, o que é negativo para renda variável e, em especial, as ações das imobiliárias. Isso porque com a elevação da Selic as instituições financeiras precisam repassar o aumento para o juros do mercado imobiliário. Com isso, o valor das prestações dos novos contratos aumenta, o que deve frear ainda mais o crescimento do setor. 

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Esse cenário cria um forte ambiente de aversão ao risco para as imobiliárias nesta sessão. Os papéis da Gafisa (GFSA3) lideram as perdas do Ibovespa, com desvalorização de 4,53%, a R$ 3,16, seguidos pelos da Brookfield (BISA3, -2,27%, R$ 1,29), Rossi (RSID3, -2,05%, R$ 1,91) e PDG Realty (PDGR3, -2,81%, R$ 1,73). Um pouco mais distante aparecem as ações da Even (EVEN3), que registram baixa de 2,29%, a R$ 7,24. 

Outros destaques:

Bancos
Por sua vez, as ações dos bancos recuam forte nesta sessão, com destaque para o Banco do Brasil (BBAS3, -3,82%, R$ 20,38). Com essa baixa, as ações do banco encontram-se no menor patamar desde agosto de 2013. Bradesco (BBDC4, -2,04%, R$ 25,95), Itaú Unibanco (ITUB4, -2,03%, R$ 29,45) e Santander registravam também queda superior a 2%. 

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Cielo
A Cielo (CIEL3) deu largada na véspera à temporada de balanços corporativos do quarto trimestre e já parece ter agradado ao mercado. As ações da credenciadora de cartões subiam 0,98%, sendo cotadas a R$ 63,80, após avançarem 1,39%, a R$ 63,99, na máxima do dia. O lucro líquido da empresa ficou em R$ 720,7 milhões entre os meses de outubro e dezembro, crescimento de 16,2% ante igual período de 2012. Os dados foram classificados como positivos pelo Credit Suisse e XP Investimentos, devido, principalmente, ao volume financeiro acima do esperado por ambas as casas. Outro ponto ressaltado foi a manutenção das margens de retorno da instituição – patamar amplamente questionado em meio ao ambiente mais competitivo observado no setor.

OGX
As ações da OGX Petróleo (OGXP3), agora Óleo e Gás Participações, são pressionadas no pregão desta quarta-feira (29), em meio a notícias de que credores estrangeiros de peso zeraram suas posições na empresa e seu pedido foi negado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para postergar planos de avaliação de descoberta de duas áreas localizadas em blocos com prazo já vencido para esta atividade. Os papéis caem 10,0%, sendo cotados a R$ 0,27, no menor patamar do dia. O volume financeiro chama atenção também e atingia no mesmo horário R$ 21,054 milhões, contra média diária dos últimos 21 pregões de R$ 23,112 milhões. Em quatro dias, o papel já acumula queda de 20%.