Direto da Bolsa

Exportadoras disparam na Bolsa com rali do dólar; veja mais 25 destaques do dia

Quedas de Petrobras e bancos puxam dia ruim da Bovespa; uma das campeãs do 1º semestre, Cielo afunda 3,6%

Por  Marina Neves

SÃO PAULO – Quem esperava um dia morno na Bolsa pelo aguardo da pesquisa do Datafolha que termina nesta quarta-feira (2) e deve ser anunciada nos próximos dias, viu o dólar roubar a cena e “salvar” o dia das exportadoras, como a Vale (VALE3; VALE5), que figurou entre as maiores altas do dia.

Mesmo assim, o dia foi predominantemente negativo, com o Ibovespa caindo 0,27%, puxado pelas ações do setor financeiro.

Ao todo, 25 ações ficaram em destaque no Radar InfoMoney. Confira abaixo:

Exportadoras
As ações da Usiminas (
USIM5) foram as altas mais fortes do Ibovespa nesta quarta-feira, registrando ganhos de 4,65%, cotadas a R$ 8,11, junto com as ações das outras exportadoras – CSN (CSNA3, R$ 9,66, +3,43%), Vale (VALE3, R$ 30,44, +2,66%; VALE5, R$ 27,20, +2,03%), juntamente com Bradespar (BRAP4, R$ 20,93, +1,75%), holding que detém participação na Vale e Gerdau (GGBR4), que subiram 2,71%, cotadas a R$ 13,28. As exportadoras de papel e celulose Fíbria (FIBR3, R$ 22,30, +4,06%) e Suzano Papel (SUZB5, R$ 8,58, +3,37%) também brilharam no pregão.

Para o analista-chefe da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, as expectativas de um esfriamento na política de intervenções do Banco Central no câmbio contribuíram para que o dólar fosse pressionado para cima. A moeda fechou cotada a R$ 2,2243, alta de 0,88% – maior variação positiva em 1 mês.

Gol e Petrobras perdem com dólar
Se as exportadoras comemoraram o rali da moeda norte-americana, a Gol (GOLL4, -1,77%, R$ 12,18) viu suas ações caírem quase 2%, já que a maior parte do custo operacional da companhia aérea vem de combustível, que é lastreado na divisa dos EUA. 

Bancos
Banco do Brasil (BBAS3-1,68, R$ 24,52 ), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,62, R$ 31,56) e Bradesco (BBDC3, -0,34%, R$ 32,28; BBDC4, -0,31%, R$ 31,93) voltaram a fechar em queda, prolongando as perdas desde a semana passada, quando o Banco Central reduziu suas estimativas de crescimento do estoque de crédito nos bancos privados nacionais neste ano a 6%, frente aos 10% esperados até então. Além disso, ele manteve a projeção de expansão de 17% para os bancos púbicos.

Os novos dados do BC preocupam o mercado dada a expectativa de elevação da inadimplência no Brasil e a reação dos bancos de elevação dos spreads.

Cielo
Uma das estrelas da Bolsa nos últimos anos, a Cielo (CIEL3) viu suas ações caírem 3,59%, cotadas a R$ 44,00. No 1º semestre de 2014, os papéis da empresa subiram 41,19%, reflexo da “rara” combinação de crescimento forte dos lucros com uma boa distribuição de dividendos, aponta o HSBC. Os analistas do banco elevaram as expectativas de lucro por ação para o mesmo período entre 6 a 7%. Os motivos foram a perspectiva de crescimento resiliente de receita e resultados mais fortes que o esperado para este primeiro trimestre.

Após o pregão desta quarta-feira, a companhia anunciou uma parceria com a Smiles para expandir o programa de fidelidade para o mercado varejista.

Kroton e Anhanguera
As ações da Kroton (KROT3-2,02%, R$ 60,26) e Anhanguera (AEDU3, -0,77%, R$ 18,03) fecharam com fortes perdas nesta sessão. Na próxima quinta-feira, as empresas se reunirão para uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária) com objetivo sobre os tópicos que envolvem a aprovação da fusão entre as companhias. A votação é o último passo para o acordo de associação das empresas. 

Direct to Company (DTCY3, +7,84%, R$ 0,55)
As ações da small cap Direct to Company, que passaram por fortes altas e baixas no final do mês passada, voltaram a chamar atenção. Neste pregão, os papéis chegaram a dispar 21,57%, a R$ 0,62. No final de junho, a companhia anunciou via fato relevante que faria um projeto piloto voltado ao setor de saúde, denominado UNIPRÓ Saúde, que tem como objetivo a venda de cursos especializados aos profissionais da área, através de plataforma e-commerce. A receita da venda dos cursos será destinada aos pagamentos dos custos operacionais das partes, sendo que o resultado da operação será dividido de acordo com a participação de cada empresa no projeto. 

Brasil Pharma (BPHA3, -2,45%, R$ 3,59)
As ações da Brasil Pharma caíram pelo terceiro pregão consecutivo. Ontem, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os ratings da empresa de Ba3 para B1 na escala global e de A2 para Baa3 na escala nacional. A perspectiva também foi revisada de estável para negativa. Segundo a agência, as mudanças refletiram a fraca performance operacional nos últimos dois trimestres e as expectativas de que as métricas de crédito da empresa continuarão pressionadas no curto prazo.  

Qualicorp (QUAL3, -0,97%, R$ 25,50)
As ações da Qualicorp esticaram a queda da véspera quando refletiram o corte de recomendação do Bank of America Merrill Lynch. O banco de investimentos rebaixou a classificação dos papéis da empresa de compra para neutra. 

Lojas Renner (LREN3, -1,94%, R$ 69,35)
As ações da Lojas Renner caíram depois de corte de recomendação pelo Citi. O banco rebaixou a classificação de compra para neutra. Os papéis da varejista acumulam cinco meses consecutivos de alta e registram no ano valorização de 17%. 

Outras ações do setor acompanham o movimento negativo e caem mais de 1%: Lojas Marisa (AMAR3, -2,97%, R$ 15,70) e Arezzo (ARZZ3, -5,27%, R$ 29,47). 

Eletropaulo (ELPL4, -2,84%, R$ 10,27)
A Eletropaulo viu suas ações caírem pelo segundo dia depois que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) negou recurso apresentado pela empresa e manteve a decisão que obriga a distribuidora a devolver R$ 626 milhões aos consumidores. Segundo a agência, entre 2002 e 2011, a empresa considerou em seus processos tarifários a existência de 246 mil metros de cabos em sua base de ativos, que foram considerados inexistentes pela Aneel. Já na véspera, a ação da Eletropaulo caiu 1,67%, fechando a R$ 10,57. 

Estácio (ESTC3, +0,96%, R$ 29,35)
A Estácio fechou o pregão dessa quarta com suas ações subindo após ter anunciado ontem a aquisição do Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam), com sede em Belém (PA), por R$ 80 milhões, em seu primeiro negócio após a aprovação da compra da paulista Uniseb em setembro passado. Segundo a XP Investimentos, apesar da aquisição ser pouco relevante em termos de porte (incremento de menos de 2% da sua base atual de alunos), vem em linha com a estratégia de crescimento inorgânico da empresa, focando em ativos de pequeno e médio porte.

Ontem também foi aprovada pelos acionistas a aquisição da UniSeb, fato que já era esperado pelo mercado. Dado esse passo final, a Estácio poderá intensificar os trabalhos de integração dos ativos. Além disso, o MEC (Ministério da Educação) ampliou o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) para alunos de mestrado, doutorado e curso técnico.  

MMX (MMXM3, -3,68%, R$ 1,83)
As ações da MMX Mineração seguiram em forte queda desde que a empresa afirmou na semana passada que a busca por um parceiro para ajudar a financiar sua expansão tem sido mais difícil por causa da intensa queda no ano do preço do minério de ferro. Nos últimos oito pregões, os papéis acumulam desvalorização de 25%.  

BR Insurance (BRIN3, +0,85%, R$ 11,80)
Depois de disparar 9% na véspera, as ações da BR Insurance estenderam os ganhos nesta quarta-feira. A disparada de ontem do papel foi uma tentativa de “renascer” no mercado acionário após ter perdido mais de 60% de valor de mercado entre 31 de março e 7 de abril. De 6 de junho pra cá, dia que a companhia reagiu à notícia de que a Gávea Investimentos poderia adquirir a empresa, as ações BRIN3 subiram 42%; da mínima alcançada em 7 de abril (R$ 5,68) até hoje, a valorização é de 106,7%.

Em entrevista recente ao InfoMoney, o CFO da BR Insurance, Miguel Longo, afirmou que a administração da companhia está passando por um processo de reintegração e busca focar em melhores processos, de modo a buscar maior eficiência.

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