Exportadoras disparam junto com o dólar: início de rali ou “fogo de palha”?

Pressão a partir de agora é que a moeda norte-americana suba, mas analistas acreditam que dificilmente a divisa irá superar o teto informal de R$ 2,25

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SÃO PAULO – Apesar do dia negativo da Bolsa ontem, um grupo de ações de destacou na ponta positiva: as exportadoras. Tudo por uma simples razão: a alta do dólar. Uma combinação de notícias vindas do exterior e informações do Banco Central levaram a uma disparada de quase 1% da moeda norte-americana no último pregão, fato que favorece bastante as empresas exportadoras. Mas será que essa alta continua e embala um rali do setor na Bolsa?

Analistas acreditam que não será bem assim. Para o analista-chefe da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, as expectativas de um esfriamento na política de intervenções do BC no câmbio contribuíram para que o dólar fosse pressionado para cima. A moeda fechou cotada a R$ 2,2243, alta de 0,88% – maior variação positiva em 1 mês.

Diante disso, as 8 maiores altas do Ibovespa ontem foram empresas com um perfil exportador. Empresas como Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3), Fibria (FIBR3), Suzano (SUZB5), Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Vale (VALE3; VALE5) registraram alta de pelo menos 2% em um dia que o índice fechou com queda de 0,27%. Todas elas acabam muito favorecidas pelo impacto positivo que a alta do dólar tem sobre suas receitas, além de melhorar a competitividade dessas companhia diante de seus pares no exterior. 

Porém, mesmo que o dólar mantenha sua trajetória de alta, o próprio BC não deve deixar com que a desvalorização do real continue de forma desenfreada. Para o economista Alex Agostini, da Austin Rating, o que ocorre no momento é um “jogo” entre a autoridade monetária e o mercado, que tenta ver quais são os limites do BC.

O que se tem visto tanto do mercado quanto da autoridade monetária é que dificilmente a moeda norte-americana irá superar os R$ 2,25, assim como também não deve recuar para baixo de R$ 2,20. O que mudou é a “vontade” das intervenções do BC, que apesar de se mostrar menos disposto a segurar o dólar, também não abriu mão de suas intervenções diárias e estendeu o programa de leilões de swap, um sinal claro de que deve agir apenas quando achar necessário.

Pressão de alta, mas BC não deve deixar dólar subir
Mesmo assim, o futuro promete uma pressão de alta no dólar, o que pode desencadear fortes altas das exportadoras. O analista-chefe da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, ressalta o forte fluxo de capital destinado para o Brasil desde março, quando investidores se sentiram atraídos por uma relação custo/benefício mais favorável a eles, e diz que espera um maior arrefecimento neste sentido daqui pra frente.

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Somado a isso, os dados positivos do emprego nos Estados Unidos e as expectativas de elevação na taxa de juros antes do esperado pode atrair investimentos hoje alocados nos emergentes, sobretudo no Brasil. Para analistas consultados pela Bloomberg, a economia verde-amarela pode ser uma das mais vulneráveis a uma virada de fluxo de investimentos.

Apesar de toda a pressão para a valorização do dólar, os analistas continuam a acreditar que a divisa não deve disparar, com o BC intervindo de forma mais forte sempre que achar necessário. A banda informal entre R$ 2,20 e R$ 2,25 deve ser mantida, mas neste cenário a tendência indica um patamar mais próximo do teto.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.