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SÃO PAULO – “Nada como um efeito Europa para um turnaround das bolsas no Brasil e nos EUA. A simples, e não confirmada, possibilidade de forte aporte conjunto de Alemanha e França no fundo de estabilização financeira, e da maior ajuda na Zona do Euro levou a uma completa alteração na trajetória da aversão a risco global”.
A fala de Marco Melo, head de análise da Ágora Corretora, exprime com primazia a mudança de sentimento do mercado a partir da tarde da última terça-feira (18), que segue reverberando neste início de quarta-feira, com ganhos estendendo-se tanto nas bolsas europeias, já em pregão regular, quanto nos EUA, ainda em pré-market.
Sensibilidade
Em linhas gerais, a súbita transformação da percepção dos investidores com base em rumores confirma a previsão de analistas, que crivaram na última segunda-feira que qualquer notícia ou vazamento sobre o chamado “plano abrangente” de reformas que será apresentado na semana que vem teria um forte impacto sobre o mercado.
Neste sentido, “o mercado irá continuar a se guiar pelas expectativas da reunião do Eurogrupo na sexta-feira e do conselho europeu no domingo. A minuta da reunião do BoE (Bank of England) a ser divulgada nesta quarta-feira será interessante, pois pode revelar em que medida seus membros estão dispostos em realizar aquisição de ativos”, aponta Allan von Mehren, analista chefe do Danske Bank.
Mais resultados do setor financeiro
Apesar da forte influência do front europeu, não se pode deixar de lado todo o peso de Wall Street. Por lá, a temporada de resultados segue intensa, com gigantes divulgando seus números ao longo da sessão.
O setor financeiro segue como uma das principais referências, com destaque para BlackRock, Morgan Stanley, Bank of New York, M&T Bank e Raymond James.
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Agenda cheia
Nos EUA, investidores também aguardam a divulgação de indicadores de inflação referentes ao mês de setembro e dados do setor imobiliário para calibrarem seu humor para a sessão antes mesmo da abertura do pregão regular, revelando como a sessão promete ser movimentada.
Durante a tarde, haverá ainda a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve, revelando a quantas anda a economia norte-americana de acordo com informações recolhidas junto de economistas, analistas financeiros, acadêmicos e homens de negócios.
Copom no radar
Por aqui, além de todo o caldeirão de influência externa, investidores seguem ansiosos pela reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que se encerra no final desta tarde, quando segundo alguns analista já há a possibilidade do órgão realizar um corte superior a 0,5 p.p na taxa Selic, embora o consenso de mercado siga apontando para este valor.
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-0,75 p.p.?
“Nós prevemos um corte de 75 pontos base na taxa Selic, para 11,25% ao ano, sendo um palpite for do consenso de mercado. Após a autoridade monetária reafirmarem a política de velocidade moderada na redução do juro básico, a grande maioria dos economistas segue projetando uma curva similar à da última reunião”, avalia a equipe econômica do Itaú BBA.
Para o banco, a desaceleração da atividade doméstica no terceiro trimestre deve levar o Copom a aprofundar sua estratégia de relaxamento monetário.