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SÃO PAULO – A demanda de investidores por ativos considerados mais seguros dispara nesta sexta-feira (31) diante das expectativas de que os Estados Unidos vão adotar mais medidas de estímulo econômico. Com isso, a procura por títulos públicos da Alemanha cresce, derrubando o valor dos papéis e, por consequência, aumentando o retorno ao mercado.
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, falará durante o simpósio anual da instituição em Jackson Hole, Wyoming. Em 2010, ele aproveitou o evento para preparar o terreno para uma segunda rodada de relaxamento quantitativo. Neste ano, no entanto, há poucos sinais do que Bernanke poderá anunciar, mas boa parte do mercado mantém perspectiva de afrouxamento monetário.
O apetite dos investidores por dívida alemã se sustenta, apesar de indicadores fracos sobre a economia do país. Por lá, as vendas no varejo recuaram inesperadamente em julho, caindo 0,9% em termos reais na comparação com o mês anterior.
Resgate espanhol
Também no mercado secundário, aumenta a pressão sobre os papéis da Espanha depois que a agência de risco Moody’s anunciou que seguirá revisando, “até o fim de setembro”, sua avaliação da dívida soberana espanhola, que deve ter aumentando desde a última revisão, feita em junho.
A agência afirmou que não concluiu a revisão pois espera mais dados sobre a extensão da recapitalização que o sistema bancário precisa e da dimensão dos mecanismos de apoio disponíveis do país no âmbito do ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade). Depois de uma reunião com o presidente francês, François Hollande, o premiê espanhol, Mariano Rajoy afirmou que a Espanha vai atrasar a decisão de pedir ou não ajuda externa, até que as condições fiquem mais claras.
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 23,54% | -1,72% | +22,15 |
| Portugal | 9,41% | -0,30% | +8,02 |
| Itália | 5,79% | -0,02% | +4,40 |
| Espanha | 6,68% | +1,24% | +5,29 |
| França | 2,19% | +2,00% | +0,80 |
| Alemanha | 1,39% | +5,45% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
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Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.