Expectativa com emprego nos EUA se sobressai e bolsas avançam

Após dados positivos ao longo da semana, cresceu o otimismo com o Relatório de Emprego e a aposta é de forte crescimento de vagas

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SÃO PAULO – Após um pregão bastante positivo na véspera, os futuros norte-americanos voltam a repetir o desempenho nesta sexta-feira (4), na expectativa por um forte Relatório de Emprego, esperado para esta manhã. As bolsas europeias acompanham o ritmo e também avançam, apesar da sinalização feita por Jean Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), de que pode aumentar juros em abril. 

Os sólidos números publicados nas últimas semanas nos Estados Unidos reforçam o otimismo e as apostas em relação ao Employment Report de fevereiro, relatório que compila a taxa de desemprego e a criação de vagas na economia, além do números de horas trabalhadas por semana e os ganhos por hora. 

Além da abertura de postos de trabalho no setor privado superior à expectativa mostrada pelo ADP, outros dados colaboram com a expectativa, como avanço da atividade manufatureira e no setor de serviços. De acordo com o MarketWatch, o consenso indica que em fevereiro foram criados 218 mil empregos, em comparação aos 36 mil de janeiro.

Este seria o maior ganho mostrado pelo indicador desde abril, excluindo as contratações temporárias para o Censo. Já a taxa de desemprego deve apresentar uma leve alta, de 9% para 9,1%. Ainda na agenda, está prevista a divulgação das encomendas à indústria norte-americana em janeiro. 

Mediação dos conflitos
Contribui ainda para o aumento do apetite por risco os relatos de que as conversas entre a Liga Árabe e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que este venha a mediar o conflito na Líbia estariam fluindo animam investidores. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que Muammar Qaddafi “renuncie ao poder” imediatamente e disse estar considerando uma gama de opções para impedir mais derramamento de sangue no país. Ainda assim, Obama evitou comprometer os EUA com qualquer ação militar direta.

Para a Ágora, a ausência de novidades ameaçadoras relacionadas à crise política tem como efeito amainar a aversão ao risco, como mostrou a menor volatilidade que envolveu as cotações de petróleo na véspera.  

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Juros em abril na Europa
Na Europa, sem indicadores relevantes, o mercado ainda digere o discurso de Trichet na véspera. Embora tenha mantido a taxa básica de juros em 1% ao ano na reunião da véspera, o presidente do BCE fez um anúncio considerado agressivo, e deixou claro que a elevação na taxa de juros da zona do euro deve vir em abril. Dentro dessa expectativa, o Danske Bank espera alta de 0,25 ponto percentual no próximo mêsl, com elevações no terceiro e quarto trimestres também. 

A disposição do BCE tomou os mercados de surpresa, mas a reação foi rápida e os juros praticamente já se ajustaram, deixando a expectativa de elevação quase inteiramente precificada. De acordo com o Danske Bank, a autoridade está comprometida em não deixar que ocorra uma desancoragem das expectativas para a inflação. 

No Brasil, foco para IPCA
No cenário interno, são justamente os preços que ganham relevância. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mostrou avanço de 0,80% no mês de fevereiro, levemente aquém das expectativas do mercado e 0,03 ponto percentual inferior ao mês de janeiro. A Ágora aguarda reações voláteis à divulgação do indicador. 

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Nos últimos meses, muitos analistas têm chamado a atenção para o ritmo de crescimento econômico e aquecimento da demanda como fatores responsáveis pela pressão inflacionária que atingiu o País. Embora alguns economistas avaliem que já percebe-se sinais de desaceleração na economia e alguns índices de preços tenham apontado uma redução no ritmo de alta dos preços, a preocupação com a inflação está longe de ser descartada.

Para o Departamento de Pesquisa Econômica do Santander, o resultado do IPCA deve continuar apontando dados preocupantes sobre a evolução do quadro inflacionário no Brasil.

O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), por sua vez, indicou leve desaceleração do ritmo da inflação e marcou taxa de 0,96% em fevereiro, de acordo com resultado divulgado nesta manhã. Na passagem mensal, a variação medida pelo indicador teve queda de 0,02 ponto percentual.