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SÃO PAULO – O Ibovespa até tentou engatar uma terceira sessão de alta, mas passa a amargar perdas a pouca mais de duas horas do fechamento da sessão. Além da expectativa pelo resultado da reunião do Banco Central com diretores da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, o benchmark da bolsa brasileira acompanha o movimento negativo de Wall Street, que também intensifica as perdas, caindo mais de 1%, com os dados negativos vindos da China ofuscando os bons números da economia dos EUA. Às 15h09 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava perdas de 0,87%, a 45.463 pontos. Cabe ressaltar ainda a proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorrerá na próxima segunda-feira, o que aumenta a volatilidade para as ações da Vale (VALE3;VALE5) e Petrobras (PETR3;PETR4), que possuem os papéis mais líquidos.
No noticiário nacional, o mercado segue na expectativa pelo desfecho da reunião da agência de classificação de risco Standard & Poor’s com o Banco Central, ministério da fazenda e Comunicações; os diretores teriam saído da reunião sem fazer comentários. Vale ressaltar que o S&P colocou o rating do País em perspectiva negativa no ano passado e há uma grande expectativa pelas próximas sinalizações da agência sobre se ou quando a nota de crédito soberano do Brasil será rebaixada.
Os dados econômicos do gigante asiático deixam os investidores cautelosos no pregão desta data. A produção industrial no gigante asiático subiu para 8,6% nos meses de janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, mas ficaram abaixo da expectativa do mercado. Já as vendas no varejo subiram para 11,8% no ano, mas também foram menores do que as estimativas feitas pelo mercado. Os dados divulgados são mais alguns que ficaram abaixo do esperado pelo mercado e sugerem novamente uma possível desaceleração na China, segunda maior economia do mundo.
Por outro lado, os indicadores norte-americanos animam nesta sessão. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego caiu inesperadamente e atingiu nova mínima em três meses na semana passada, sugerindo um fortalecimento nas condições do mercado de trabalho: os pedidos caíram em 9 mil, para 315 mil pedidos. Enquanto isso, as vendas no varejo subiram um pouco mais do que o esperado em fevereiro, com alta de 0,3%.
Resultados e blue chips: volatilidade marca sessão
A Petrobras (PETR3, PETR4), que seguia o movimento de recuperação da véspera e subia 1% no início da sessão, virou para as perdas no início da tarde e intensifica as quedas, para 1,03% nos ativos ON e 1,28% para os papéis PN. Além disso, as ações da Vale (VALE3, R$ 29,65, -1,53% ;VALE5, R$ 26,08, -1,44%), CSN (CSNA3, R$ 8,67, -0,69%), que tinham alta de mais de 1% no início da sessão, perdem forças e registram queda nesta sessão.
Ainda como destaque de baixa, estão as ações do setor de educação. Envolvidas em processo de tentativa de fusão, as ações da Anhanguera (AEDU3, -1,70%, R$ 12,73) e Kroton (KROT3, -1,51%, R$ 43,63) têm queda, impactadas por uma solução sugerida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) na véspera para a operação.
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O órgão antitruste sugeriu a venda de ativos para solucionar o impasse da fusão, mas, para analistas, essa “solução” estaria próxima do pior cenário. Em relatórios, a equipe de análise da XP Investimentos disse que a venda seria bem negativa para a fusão, enquanto os analistas do Brasil Plural apontaram que o parecer dificulta a já sensível discussão, podendo afetar negativamente os ativos da Anhanguera.
Por outro lado, as ações do setor elétrico acentuam ganhos na tarde desta quinta-feira, reagindo à notícia de que o governo pode anunciar uma solução para o problema de caixa das distribuidoras de energia, que tem sido impactado pelos elevados gastos com a compra de energia de termelétricas e com a exposição ao mercado de curto prazo. Neste momento, se destacam no positivo as ações da Light (LIGT3, R$ 17,09, +3,80%), Energias do Brasil (ENBR3, +3,97%, R$ 9,17), Eletrobras (ELET3, +3,43%, R$ 5,12;ELET6, +1,65%, R$ 9,24), CPFL Energia (CPFE3, +3,20%, R$ 17,39), Eletropaulo (ELPL4, +3,51%, R$ 7,97), Copel (CPLE6, +1,84%, R$ 25,97) e Cemig (CMIG4, +1,58%, R$ 13,49) e Cesp (CESP6, +1,13%, R$ 21,39).
Segundo os analistas as empresas de energia elétrica em forte alta na Bovespa hoje deve-se a possível anúncio de medida autorizando a chamada “bandeira tarifária”, ou seja, aumento nos preços da energia ao consumidor final. Os reajustes seriam de 10% e 60%, dependendo da distribuidora, conforme divulgou a coluna Radar, da Veja. A informação foi dada pelo Superintendente de Regulação Econômica da Aneel, Davi Antunes, em evento com investidores que está sendo realizado hoje em São Paulo.
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O mercado espera agora pelo anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. De acordo com o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, eles irão anunciar em coletiva de imprensa, marcada para às 17h (horário de Brasília) desta quinta-feira, medidas para socorrer as distribuidoras de energia.
Ásia e Europa
Com as diversas referências econômicas, as bolsas asiáticas encerraram o pregão sem uma direção única. O benchmark japonês, o Nikkei, após subir mais de 0,4% no intraday, fechou o dia com desvalorização de 0,1%, estendendo as perdas do dia anterior. Na China, o Hang Seng também encerrou o dia no negativo e teve queda de 0,67%, enquanto o índice de Xangai Composto terminou o dia com alta de 1,07%.
Na Europa, pesaram sobre os investidores os fracos dados do gigante asiático, além das tensões na Ucrânia. Líderes da Alemanha e Polônia disseram que apoiam a União Europeia a impor sanções econômicas contra a Rússia.
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Em relação aos dados divulgados nesta quinta-feira, o preço ao consumidor na França subiu para 0,6% em fevereiro ante o mês anterior, enquanto no ano, o índice subiu para 1,1%, ficando acima das estimativas do mercado. Já as vendas no varejo na Espanha subiram 0,5% no ano, ficando acima da expectativa de analistas, que esperavam uma queda de 0,8%.