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SÃO PAULO – Nos anos 90, quando a Western Asset começou a investir nos mercados emergentes, outros gestores viam a posição da companhia como demasiadamente arriscada. Nestes últimos 20 anos, várias crises de fato afetaram esses mercados, como a de 2002, iniciada nos EUA, ou foram iniciadas por eles, como a do México, em 1994.
O Brasil sofreu com todos esses momentos, mas ainda assim tem sido “um de nossos investimentos favoritos nos últimos 20 anos”, de acordo com Ken Leech, CIO (Chief Investment Officer) emérito da Western Asset. Em evento promovido pela gestora em São Paulo nesta sexta-feira (3), Leech lembrou que atualmente esse descrédito não existe mais.
Para Keith Gardner, Head para Mercados em Desenvolvimento da Western Asset, o avanço que o Brasil fez nos últimos anos é inacreditável, e há condições para melhora. Em tom de brincadeira, Gardner disse que Luiz Inácio Lula da Silva, representante de um governo de esqueda, o que fez gestores se alarmarem, foi eleito e mesmo assim nos últimos anos a situação avançou.
Inversão de papéis
Entre as principais oportunidades, o Gardner identifica as exportadoras brasileiras orientadas para a produção de commodities, principalmente metais e petróleo, pois são materiais que irão sustentar o crescimento chinês nos próximos anos. Isso porque não é só no Brasil que a situação melhorou, mas nos emergentes como um todo. Atualmente há uma inversão de papéís: enquanto nestes mercados há crescimento, pouca dívida e demografia favorável, nos países desenvolvidos há muita dívida, pouco crescimento e envelhecimento da população, declarou Ken Leech.
Desse modo, na visão de Leech, os investidores continuarão a aumentar exposição a esses mercados em desenvolvimento, enquanto a economia norte-americana deverá manter crescimento mais moderado e a Europa ficará para trás, o que em última instância poderá causar um descolamento da performance dessas nações, historicamente atreladas ao comportamento das economias dos países desenvolvidos.
Corte de gastos e juros baixos
Mencionando a situação europeia e o agravamento do cenário no último mês, que culminou em um empréstimo de € 85 bilhões à Irlanda, Leech não vê motivos para pessimismo, mas diz estar em alerta, pois as economias do continente perderam competitividade e, em se tratando de emissão de títulos públicos, o único incentivo para colocar a casa em ordem são as crises, pois não há estímulo à austeridade em momentos favoráveis, ao contrário do que acontece no setor privado.
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Com a situação fiscal deteriorada dos países desenvolvidos e a necessidade de ajustes no orçamento, o incentivo ao crescimento ficou a cargo de políticas monetárias extremamente acomodativas em todo o mundo. A inflação baixa ainda permite que outras políticas sejam adotadas, lembrou Leecher, mencionando a segunda rodada de afrouxamento quantitativo implementada pelo Fed.
No entanto, há um questionamento em relação ao efeito dessa atitude para impulsionar a demanda nos Estados Unidos, enquanto economistas acreditam que os US$ 600 bilhões injetados pelo Fed nos EUA devem se esparramar para outros países, principalmente os emergentes. Ao dar mais liquidez a mercados já bastante atrativos por serem os propulsores do crescimento global, o Fed pode de certo modo acelerar um movimento de aperto monetário nessas nações, diminuindo o passo da expansão na parte do mundo que no momento apresenta taxas de crescimento mais altas.