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SÃO PAULO – A liqüidez do sistema financeiro vem ficando substancialmente maior nos últimos meses. Nesse sentido, a sobra de caixa nos bancos era da ordem de R$ 29,3 bilhões no início de novembro mas, somente na última terça-feira, o BC enxugou R$ 42,414 bilhões do sistema financeiro, valor que aproxima-se da base monetária, de R$ 60 bilhões no final de setembro, de acordo com dados do Banco Central.
Cenário político e SPB colaboram com liqüidez alta
Além disso, podem ingressar mais R$ 14 bilhões no sistema financeiro referentes ao pagamento de títulos públicos que não foram substituídos pelo Banco Central. O aumento de liquidez no sistema financeiro evidencia que os investidores preferem manter dinheiro em caixa a investir em títulos públicos ou direcionar recursos para operações de crédito.
O excesso de dinheiro no caixa dos bancos, o maior desde 1994, pode ser explicado pela dificuldade encontrada pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central em substituir títulos da dívida pública em função do temor dos investidores, durante este ano, com o processo eleitoral. Em outras palavras, muitos temiam que, caso um candidato de oposição fosse eleito, o novo governante não arcaria com os passivos do País e, desta forma, R$ 87,563 bilhões em títulos que vencem entre julho e dezembro deste ano não foram rolados.
Outro motivo que vem obrigando os bancos a manterem mais recursos em caixa são as regras do novo SPB (Sistema Brasileiro de Pagamento) que, dentre outros, prevê a transferência de recursos em tempo real.
A chamada TED (Transferência Eletrônica Disponível), que tende a ser o instrumento financeiro para substituir o tradicional DOC (Documento de Operação de Crédito), estabelece a transferência de recursos entre instituições financeiras simultanemente e, desta forma, os bancos precisam ter caixa disponível para arcar com as movimentações on line.