“Excepcionalismo brasileiro”: um dos pilares do otimismo com a Bolsa nas máximas

Bradesco BBI reafirmou sua visão otimista para ações brasileiras e destacou carteira de ativos

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Homem tira uma foto de um painel eletrônico que mostra o gráfico no pregão da Bolsa de Valores BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 21 de março de 2019. REUTERS/Nacho Doce
Homem tira uma foto de um painel eletrônico que mostra o gráfico no pregão da Bolsa de Valores BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 21 de março de 2019. REUTERS/Nacho Doce

Publicidade

Em um cenário global marcado pela guerra no Irã e pela forte volatilidade do petróleo, o 12º Brazil Investment Forum, organizado pelo Bradesco BBI em São Paulo, reforçou a avaliação de que o Brasil permanece bem posicionado no atual rearranjo dos fluxos globais de capital, destacando o “excepcionalismo brasileiro”.

O evento reuniu executivos de 135 empresas e mais de 850 investidores, além de debates macroeconômicos e setoriais que ajudaram a balizar as expectativas para os mercados em 2026.

A pesquisa realizada com investidores durante o fórum mostrou que os fatores globais seguem dominando a precificação dos ativos brasileiros, à frente da dinâmica doméstica de juros e crescimento. A percepção de que o petróleo deve permanecer em patamar elevado por mais tempo favoreceu uma rotação relevante para ações ligadas a commodities, ao mesmo tempo em que reduziu o entusiasmo com setores mais sensíveis a juros. Ainda assim, o Bradesco BBI identificou sinais iniciais de mudança no comportamento dos investidores locais, com menor preferência por caixa e um tom mais construtivo em relação à bolsa.

Com base nas discussões do evento, o BBI reafirmou sua visão otimista para ações brasileiras, ainda que o Ibovespa atinja novas máximas e beirando os 200 mil pontos.

Segundo a instituição, essa leitura é sustentada por três pilares principais: uma validação cada vez mais consistente do cenário microeconômico, o fortalecimento da narrativa de “excepcionalismo brasileiro” no contexto global e o posicionamento ainda excessivamente cauteloso dos investidores locais, o que abre espaço para uma possível realocação de recursos ao longo do ano.

Para os estrategistas do banco, a narrativa continua sustentando fluxos estrangeiros e o real, já que o país é possivelmente o maior beneficiário global da “great rotation” (grande rotação) — além de estar “duplamente comprado” em petróleo, tanto no macro quanto no mercado.

Continua depois da publicidade

Cabe destacar que o termo “excepcionalismo” costuma ser muito utilizado para se referir aos Estados Unidos e o desempenho mais forte de seu mercado, como referência à crença segundo “a qual os EUA são um país qualitativamente diferente de outras nações.” Contudo, esta narrativa tem perdido força, levando a uma menor atratividade para o mercado americano.

No campo macro, o Brasil foi apontado como um dos principais beneficiários do novo ambiente global, combinando peso relevante em commodities, baixa exposição a riscos geopolíticos diretos e uma estratégia de alinhamento múltiplo com Estados Unidos, China e Europa.

A expectativa é de continuidade dos fluxos estrangeiros para o país, tanto pela atratividade relativa das ações quanto pelo desconto cambial. O cenário de juros segue desafiador, com um ciclo de cortes mais gradual, influenciado pelos efeitos de segunda ordem do choque do petróleo sobre a inflação.

Entre os investidores locais, o tom ainda é de cautela, sobretudo entre clientes de varejo e gestores de patrimônio. A avaliação predominante é de que uma mudança mais clara no fluxo para ações dependerá de um recuo adicional dos juros nominais. Mesmo assim, gestores institucionais descrevem a bolsa brasileira como um raro “ganha-ganha”, com potencial de valorização tanto em um cenário de queda de juros quanto diante das incertezas fiscais e eleitorais.

Do lado setorial, os debates trouxeram avaliações mistas. Em petróleo e gás, distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) se destacaram pela perspectiva de expansão de margens em um ambiente de preços voláteis. Em materiais básicos, Vale (VALE3) reforçou uma leitura construtiva para minério de ferro e manteve discurso favorável à remuneração de acionistas, enquanto Suzano (SUZB3) vê condições para novos reajustes de preços da celulose.

Entre utilities, Copel (CPLE3) ganhou atenção pela disciplina na alocação de capital após a privatização, enquanto o processo de privatização da Copasa (CSMG3) segue no radar. No setor de transporte, Rumo (RAIL3) e Localiza (RENT3) foram apontadas como destaques positivos, sustentadas por maior previsibilidade de receitas e melhora operacional. Já em tecnologia, o uso crescente de inteligência artificial reforçou o otimismo com empresas como TOTVS (TOTS3), VTEX e LWSA (LWSA3).

Continua depois da publicidade

Por outro lado, o aumento de custos começou a aparecer como preocupação relevante em setores como construção civil e varejo, especialmente entre empresas mais expostas a insumos ligados ao petróleo e ao crédito ao consumidor. Ainda assim, companhias com alavancas operacionais claras e bom posicionamento competitivo seguem sendo vistas como capazes de navegar um ambiente macro mais desafiador.

Em síntese, o fórum reforçou a avaliação de que, apesar dos riscos globais e domésticos, o Brasil mantém características que o colocam em posição de destaque entre os mercados emergentes. Para o Bradesco BBI, a combinação de valuation atrativo, fluxo potencial de capitais e sinais de melhora no micro sustenta a recomendação de exposição acima da média ao mercado acionário brasileiro.

Confira a carteira de ações brasileiras do Bradesco BBI dentro do portfólio da América Latina:

Continua depois da publicidade

Companhia Ticker
LocalizaRENT3
AssaíASAI3
RumoRAIL3
CyrelaCYRE3
BTG PactualBPAC11
XPXP US
ValeVALE3
Banco do BrasilBBAS3
Mercado LivreMELI US
NubankNU US
PRIOPRIO3
SabespSBSP3
AxiaAXIA6

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.