Ex-presidente dos banqueiros suíços é condenado por esquema de propinas de US$ 101 mi

Pierre Mirabaud admitiu pagamentos ilegais para garantir a gestão de US$ 600 milhões de um fundo de pensão do Kuwait e recebeu pena suspensa

Pierre Mirabaud presidiu a Associação Suíça de Banqueiros entre 2003 e 2009.

Foto: Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images
Pierre Mirabaud presidiu a Associação Suíça de Banqueiros entre 2003 e 2009. Foto: Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images

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O ex-presidente da Associação Suíça de Banqueiros (Swiss Bankers’ Association, SBA) foi considerado culpado de suborno de agente público por pagar 82 milhões de francos suíços (US$ 101 milhões) em propinas ao chefe de um fundo de pensão do Kuwait para garantir que US$ 600 milhões fossem administrados por seu banco.

Pierre Mirabaud também foi condenado por lavagem agravada de dinheiro por ocultar a origem de grande parte desses pagamentos ilícitos e absolvido de uma acusação separada de falsificação de documentos, segundo decisão divulgada nesta terça-feira pelo principal tribunal criminal da Suíça.

Conhecido por seu bigode encaracolado, Mirabaud foi sócio de longa data do banco privado Mirabaud, de Genebra, fundado por sua família em 1819. O banqueiro, que comandou a Associação Suíça de Banqueiros entre 2003 e 2009, recebeu uma pena suspensa de dois anos, com período de prova também de dois anos. Na prática, ele não cumprirá pena de prisão, a menos que descumpra as condições estabelecidas pela Justiça.

“Durante todo este processo, iniciado em 2012, Pierre Mirabaud cooperou plenamente com as autoridades judiciais”, afirmou seu advogado, Saverio Lembo, em comunicado. “Hoje, ele assume a responsabilidade por seus atos, em conformidade com os princípios da responsabilidade individual, aos quais sempre esteve profundamente comprometido.”

Mirabaud aceitou participar de um procedimento simplificado, no qual admitiu irregularidades para acelerar o andamento do caso criminal e buscar uma pena mais branda. O banqueiro também foi condenado a pagar 82 mil francos suíços em custas judiciais e honorários processuais.

A Instituição Pública de Seguridade Social do Kuwait (Public Institution for Social Security, PIFSS), nome oficial do fundo de pensão do país, foi comandada por Fahad Al Rajaan entre 1984 e 2013. Após denúncias relacionadas à sua gestão, seus ativos foram congelados e a Interpol emitiu um pedido de prisão internacional.

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Al Rajaan foi condenado em 2016 por um tribunal do Kuwait por corrupção e desvio de recursos públicos. Ele morreu em Londres em 2022.

Depois do escândalo envolvendo Al Rajaan, o fundo nomeou uma nova equipe de gestão em 2017 e encerrou mais de US$ 20 bilhões em investimentos considerados suspeitos. O caso também foi tema de um julgamento na Alta Corte de Londres no ano passado, cuja decisão ainda não foi divulgada.

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