Ex-presidente do Santander recomenda cautela com setor de bancos

Cauteloso com relação às próximas medidas que podem ser anunciadas, executivo ressalta que acionistas terão de se adaptar com retornos mais baixos

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SÃO PAULO – O ex-presidente do Santander (SANB11) e da Febraban (Federação Nacional de Bancos), Fabio Barbosa, acredita que a queda no retorno dos acionistas de papéis de bancos não é algo específico do segmento, mas de todos os setores da economia, em reflexo do custo menor de capital. Para o atual presidente executivo da Abril S.A., há uma grande mudança estrutural nos bancos, tanto sobre previdência, nível de poupança, de investimentos e do retorno para os acionistas.

“Todo o custo de capital no Brasil caiu e, portanto, recua também o retorno que se tem sobre aquele custo de capital”, disse, em entrevista ao podcast da Rio Bravo Investimentos. “Os bancos fazem parte desse processo e certamente trabalharão com percentuais de retorno mais baixos do que aqueles que trabalhavam futuro , como de resto, toda a economia deverá fazer”, acrescentou Barbosa.

Sobre os recentes movimentos do governo em adotar recuo no preços das taxas de serviços em bancos públicos para estimular os privados a adotarem as mesmas medidas, Barbosa espera que isso tenha sido uma ação pontual, apenas para reaquecer a economia.

“Eu quero crer isso tenha sido temporário, mais para compensar um momento de desaceleração na economia e em breve os bancos privados e públicos estarão crescendo mais ou menos no mesmo ritmo”, avalia.

Atenção com os movimentos do governo
O executivo diz que a concorrência acirrada entre os bancos sempre existiu, mas que tem sido sentida com maior intensidade porque há maior atuação do governo para estimular instituições financeiras públicas a acelerar o repasse de crédito. Enquanto isso, bancos privados ainda se mostram mais resistentes a adotar as mesmas medidas, um cenário já observado em 2008, conforme ele ressalta.

“Esse movimento requer sempre é muita atenção”, enfatiza. Ele realça que é natural que Banco Central, Caixa Econômica, Banco do Brasil façam suas avaliações e estejam empenhados para turbinar o crescimento que podem ter, sem que exponham a organização de modo indevido.

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De acordo com Barbosa, no momento, há espaço para fazer isso. A questão crucial, questiona ele, é o que deve ser feito no futuro, qual mais estímulo será dado para que os bancos continuem crescendo num percentual acima daquele do mercado.