Publicidade
Como muitos CEOs, Gary Shapiro, presidente-executivo e ex-CEO da associação comercial americana Consumer Technology Association, tem uma pergunta decisiva que faz a candidatos esperançosos — e diz que rejeita quem responde da forma errada.
Imagine a situação: você passou horas se candidatando ao emprego dos sonhos e enfrentando várias entrevistas. Finalmente, acha que conquistou o gerente de contratação quando ele pergunta: “Quando você pode começar?”
Leia também: Ex-CEO do Goldman Sachs diz que gênios das melhores faculdades nem sempre se dão bem
Seria compreensível pensar que a resposta certa é “imediatamente”. Afinal, você quer parecer entusiasmado.
Mas atenção: Shapiro diz que estar disponível em até duas semanas é um grande sinal de alerta que pode levar o candidato direto para a pilha de rejeitados. “Eles não conseguem o emprego, porque vão nos tratar da mesma forma que trataram o empregador anterior”, disse Shapiro à CNBC.
“Quero um funcionário com um nível de comprometimento com a organização — mesmo que não ame o trabalho — a ponto de não deixar o empregador na mão.”
Continua depois da publicidade
A menos, claro, que você esteja desempregado — nesse caso, a pergunta eliminatória não se aplica.
A Fortune entrou em contato com Shapiro para comentar o assunto.
O teste de lealdade também vale para funcionários que estão saindo
Talvez não seja surpreendente que Shapiro valorize a lealdade entre os trabalhadores — afinal, o executivo de 69 anos ocupou o cargo de principal executivo da CTA por mais de três décadas.
Para Shapiro, não importa o nível de senioridade do candidato: todos passam pelo mesmo teste — e quanto maior o aviso prévio, melhor.
Shapiro contou que fez essa pergunta clássica ao contratar a diretora de operações da empresa. Segundo ele, ficou “muito agradecido” quando ela respondeu que precisaria de até seis semanas para fazer uma transição adequada do emprego anterior.
“Eu disse: ‘Perfeito. A vaga é sua’”, acrescentou.
Continua depois da publicidade
Embora Shapiro não tenha mencionado o nome dela na entrevista, Christina Brady é a COO da CTA, segundo o site da associação.
Ele também aplica um teste semelhante de lealdade a funcionários que já trabalham na empresa quando entregam o aviso de saída.
Sair em bons termos, incluindo dar pelo menos duas semanas de aviso prévio, costuma ser levado em consideração quando a CTA recontrata funcionários que retornam à empresa, acrescentou Shapiro.
Continua depois da publicidade
Perguntas de entrevista passaram a ser analisadas com mais rigor por causa da IA
O teste de entrevista de Shapiro pode ter resistido ao tempo, mas muitos recrutadores hoje estão abandonando suas perguntas tradicionais por causa da inteligência artificial.
Um dos cofundadores da xAI, empresa de Elon Musk, chegou até a expor um candidato que estava trapaceando em uma entrevista no X. Em vez de se atrapalhar em perguntas difíceis, o candidato usava modelos de linguagem para responder e lia as respostas na lateral da tela.
Greg Yang, um dos 12 cofundadores da mais recente empresa de IA de Musk, disse que “um candidato tentou usar o Claude durante a entrevista, mas era óbvio demais”.
Continua depois da publicidade
O candidato em questão chegou até a revelar que participantes anteriores haviam vazado as perguntas feitas na entrevista em sites como 1point3acres e Cscareers.
Fora do setor de tecnologia, profissionais também vêm tentando ajudar colegas a driblar o processo seletivo compartilhando perguntas difíceis em plataformas como o Glassdoor: a Fortune conseguiu encontrar na plataforma de carreiras muitas das charadas incomuns que o Goldman Sachs faz aos candidatos.
A publicação de Yang inspirou outros empregadores a comentar como candidatos mais espertos estão abusando de ferramentas de IA — e como alguns recrutadores estão abandonando perguntas tradicionais em favor de conversas mais naturais como resposta.
Continua depois da publicidade
Um empregador chegou a dizer que agora pede ao candidato que faça perguntas sobre a vaga: “Se ele não consegue fazer perguntas adequadas, provavelmente não tem experiência suficiente.”
2026 Fortune Media IP Limited