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SÃO PAULO – Mesmo com a recente valorização dos mercados acionários globais, os investidores ainda se deparam com opções baratas na renda variável, tanto em relação à média histórica quanto em relação aos patamares apresentados antes da crise financeira internacional.
Alguns dos principais critérios normalmente utilizados pelos investidores para escolher essas ações são: descontos em relação aos preços antigos, aos lucros (baixo múltiplo P/L – que mostram a relação entre preço e lucro projetado) e ao valor de seus ativos (baixo P/BV – múltiplo que mostra a relação entre preço e book value).
Porém, a escolha de investimentos considerando apenas esses critérios pode levar os investidores a decisões erradas, como aponta Ilan Moscovitz, do portal de investimentos The Motley Fool. “Em um estudo recente, eu descobri que as large caps mais desvalorizadas durante a última recessão na verdade tiveram performance pior do que as menos pressionadas”, explica.
Exemplificando seu estudo, Moscovitz cita o desempenho das ações do eBay, que subiram 42% durante a recessão e 136% nos cinco anos seguintes. Já a Qwest, que caiu 65% durante o período de turbulências e poderia ser considerada uma opção barata, não se recuperou mais.
O que procurar?
A conclusão de Moscovitz é de que, assim como o histórico dos preços das ações, os múltiplos também são métricas altamente falíveis. Dessa forma, o investidor deve atentar para outros critérios de avaliação das ações. A escolha certa é aquela que combina múltiplos ou preços baratos com vantagens competitivas, grande potencial de ganho e a habilidade de geração de caixa.
Por outro lado, o colunista do Motley Fool recomenda manter distância de empresas que são altamente dependentes de fontes de capital externas, que podem ser particularmente vulneráveis em uma recessão como a atual, combinada com uma crise de crédito. Assim, as armadilhas se escondem atrás de ações baratas de empresas que possuem poder de ganho inconsistente, grande dívida e posição competitiva fraca.
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No Brasil
Enquanto Moscovitz cita as ações do Citigroup como uma das maiores armadilhas nesse sentido, no Brasil as atenções se voltam para outros tipos de papéis: aqueles cujas quedas foram fundamentadas e não apenas efeito da crise financeira internacional.
De acordo com Kelly Trentin, analista da SLW Corretora, dois papéis brasileiros que se encontram nessa situação são GOL e TAM. “Se você olhar no ano, a GOL tá subindo 1,5% e a TAM tá caindo 1,9%, considerando as oscilações deste pregão. Você pode pensar que elas estão baratas, só que, do que elas têm mostrado e de como tem evoluído o setor, são dois papéis que não necessariamente vão subir no curto prazo”, exemplifica Kelly.
Outros papéis citados pela equipe da SLW são a Celesc, que está no zero a zero no ano, enquanto o benchmark está subindo mais de 40%, e a Klabin, que sempre foi negociada com desconto em relação aos pares. Embora pareçam baratas, o mercado teria motivos para descontarem ambas as ações. No caso da Celesc, o problema é a desconfiança em relação ao management; já em relação à Klabin, as dívidas é que seguram as cotações.