Europa: temor de recessão paira sobre a região e bolsas sofrem forte queda

Recuo do PIB do Reino Unido alimenta forte cautela; papéis de montadoras, financeiras e petrolíferas lideram as perdas

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SÃO PAULO – Fortes tensões sobre a economia do Reino Unido, elevação da taxa básica de juro pelo Banco Central da Dinamarca e novas preocupações em torno do setor financeiro. Não bastasse o rol de referências pessimistas, o expressivo recuo das principais bolsas na Europa contou ainda com queda das commodities e temores quanto à esfera corporativa, em especial aos cortes de projeções de ganhos realizados por companhias do setor automobilístico.

A economia britânica recuou mais do que o esperado durante o terceiro trimestre deste ano, à medida que a turbulência internacional abalou o desempenho dos diversos setores da indústria, deixando o país mais próximo de sua primeira recessão em mais de dezesseis anos.

No período, segundo os dados do European for National Statistics divulgados nesta sexta-feira (24), a atividade na região recuou 0,5% em relação ao apurado durante o segundo trimestre, reforçando o alerta do primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, de que o país já se encontra em uma recessão.

Dinamarca eleva juro

Em uma medida de urgência, o Banco Central da Dinamarca decidiu elevar a taxa de juro básica da região em meio ponto percentual para 5,5% ao ano, de forma a conter as pressões sobre a sua moeda, o kroner. A instituição afirmou também que pode realizar novos aumentos nos próximos dias.

Sob as perspectivas negativas quanto aos impactos da crise financeira e a ameaça de recessão que paira sobre a economia da Europa, os principais índices de ações locais chegaram a cair mais de 10% pela manhã, puxados principalmente por papéis de montadoras, bancos e produtoras de matérias-primas.

Montadoras, financeiras e petrolíferas

Dentre as principais automobilísticas, a Toyota, segunda maior montadora mundial, a Peugeot, segunda maior da Europa, e a Volvo reduziram quase que simultaneamente as suas estimativas de lucro para o ano de 2008, afirmando que a queda das vendas e o ambiente de negócios desfavorável prejudicaram seus resultados.

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Já no setor financeiro, o Morgan Stanley reduziu em 25% o preço-alvo para as ações do HSBC (-12,3%), à medida que a crise se espalha pelo mundo. Destaque de queda também para as ações de Société Générale (-11,7%), HBOS (-19,3%) e Deutsche Bank (-9,7%).

Por fim, nem mesmo a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em reduzir a oferta de petróleo em 1,5 milhão de barris diários foi suficiente para impedir a queda das cotações dos papéis do setor. Com os ativos de Eurasian Natural Resources (-15,3%), Vedanta Resources (-10,7%), Shell (-7,8%) e BP (-8,2%) figurando entre as principais perdas.

Confira a cotação dos principais índices

O índice FTSE 100 da bolsa de Londres apresentou desvalorização de 5,60% a 3.859 pontos, acumulando no ano forte baixa de 40,24%.

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Enquanto o CAC 40 da bolsa de Paris encerrou em forte baixa de 3,75%, atingindo 3.187 pontos e sua variação no ano acumula forte baixa de 43,24%.

A Bolsa de Frankfurt, apresentou uma forte baixa de 5,08% , atingindo 4.290 pontos, acumulando uma desvalorização de 46,82%.

%Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
CAC 40 -3,75 3.187 -22,55 -43,24
DAX 30 -5,08 4.290 -29,12 -46,82
FTSE 100 -5,60 3.859 -24,27 -40,24
SMI -3,71 5.675 -16,30 -33,11
MIB 30 -5,50 20.338 -25,79 -47,25