Euro versus dólar: entenda porque a moeda americana não pára de cair

Menor confiança dos investidores estrangeiros na economia dos EUA e juros baixos derrubam moeda norte-americana

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SÃO PAULO – Quando se fala de economia internacional, um dos tópicos mais discutidos nos últimos meses diz respeito à forte desvalorização do dólar frente ao euro, a moeda comum européia. E o assunto realmente merece atenção, pois a queda já ultrapassa 33% em pouco mais de dois anos.

Para ter uma dimensão, esta desvalorização é maior do que as quedas que o real sofreu em 1999, após a desvalorização de janeiro, e 2002, com os temores quanto à eleição, quando a moeda brasileira perdeu, respectivamente, 28% e 32% do seu valor.

Entenda a cotação

Antes de tudo, é importante entender como o dólar é cotado em relação ao euro, o que muitas vezes causa confusão. Quando cotamos a taxa de câmbio entre real e dólar, sempre consideramos quantos reais precisamos para comprar um dólar. Ou seja, atualmente são necessários cerca de R$ 2,85 para comprar uma unidade da moeda norte-americana.

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Assim, quando o dólar sobe, isso significa que precisamos de mais reais para comprar um dólar, de forma que esta cotação acaba subindo, ou seja, pode ir, por exemplo, para R$ 3,35.

Já o padrão usado para comparar as duas moedas mais importantes do mundo é diferente, ou seja, ao invés de cotar euros por dólar (se fosse usado o mesmo padrão do real), a convenção é cotar dólares por euro. Ou seja, uma taxa de US$ 1,25 significa que é necessário um dólar e vinte e cinco centavos para comprar um euro.

Isso implica que, cada vez que a cotação sobe, o dólar está perdendo valor, já que são necessárias mais unidades da moeda norte-americana para comprar um euro. Por isso, falamos de desvalorização do dólar no período onde a cotação passou de US$ 0,85 para US$ 1,25, o que ocorreu nos últimos dois anos.

Problema estrutural

Dois fatores são os principais responsáveis pela queda do dólar: a menor confiança dos investidores estrangeiros na economia norte-americana e a queda dos juros nos EUA.

Embora a economia norte-americana seja a maior do mundo, isto não significa que seja a mais sólida. Se o Brasil tem como um dos seus principais problemas o fato do governo gastar mais do que deve, o mesmo acontece nos Estados Unidos.
Até 2001 os EUA tinham um superávit fiscal, mas depois da implementação da política econômica de George W. Bush, a situação mudou, com os EUA devendo gerar um déficit de cerca de US$ 500 bilhões este ano, pouco acima de 4% do PIB.

A combinação disso com um elevado déficit comercial e taxas de juros muito baixas, as menores em mais de quatro décadas, reduziu o interesse dos estrangeiros por ativos nos EUA. Isso é justificável, pois não somente o risco aumentou (com a pior situação fiscal e externa) como também a remuneração caiu (com juros mais baixos).

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Desta forma, embora os economistas não tenham um consenso para quantos dólares serão necessários para comprar um euro no final de 2004, uma coisa é certa: para a moeda européia parar de subir, o dólar precisa da salvaguarda de melhores fundamentos na economia dos EUA.