Eurasia Group: Brasil não tem questão de segurança com EUA e está em posição forte

Analista avalia que tema central entre os países é o comércio e que EUA têm menos poder para usar tarifas como pressão

Estadão Conteúdo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia
26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

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O Brasil está em uma posição mais forte para lidar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia o fundador e presidente da Eurasia Group, Ian Bremmer. “Se a economia brasileira enfrentasse um desafio de segurança nacional com os Estados Unidos, seria outra história. Mas isso realmente não é um componente da conversa. É predominantemente sobre comércio”, disse em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 5.

Para Bremmer, Trump terá menos influência no comércio em 2026, uma agenda que marcou todo o seu primeiro ano de governo, afetou a economia norte-americana e foi parar na Suprema Corte.

“Então, o Brasil está na verdade em uma posição mais forte”, disse o fundador da Eurasia, ressaltando que por ser o comércio o principal tópico nas conversas entre Brasil e EUA, o país sente menos a pressão da chamada “Doutrina Donroe”, termo cunhado por Trump para designar a estratégia que coloca a América Latina – e o Hemisfério Ocidental – como prioridades para os EUA.

Bremmer lembrou que Trump impôs tarifas ao Brasil em 2025, mas voltou atrás, mesmo sem Brasília recuar, porque a questão econômica nos Estados Unidos pesou.

“Os EUA estão menos capazes e dispostos a usar a arma das tarifas globalmente da maneira como fizeram em 2025”, comentou Bremmer na entrevista.