Menos otimismo

Eurasia estima economia de no máximo R$ 600 bilhões com reforma da Previdência

Em entrevista ao InfoMoney, fundador da consultoria de risco político citou desafios para a aprovação da reforma e queda acelerada da popularidade de Jair Bolsonaro

SÃO PAULO – Enquanto o governo segue com um discurso otimista de que a reforma da Previdência poderá render economia da ordem de R$ 1 trilhão em um período de dez anos, o mercado financeiro e analistas políticos têm sido mais comedidos na cifra e no impacto das mudanças no longo prazo. Para Ian Bremmer, presidente e fundador da consultoria de risco político Eurasia, a reforma deverá passar, mas de uma forma menos robusta do que a projetada pela equipe do ministro Paulo Guedes.

Em entrevista ao InfoMoney, o cientista político disse que estima uma economia mais enxuta com a Previdência, entre R$ 400 bilhões e R$ 600 bilhões. “Por conta da equipe econômica, a maioria dos investidores estrangeiros viu Bolsonaro como uma boa opção para o mercado e para aprovar a reforma da Previdência. Mas a realidade está menos otimista”, afirmou.

Além dos desafios já esperados para a aprovação da reforma, justamente por seu tamanho e o impacto das mudanças na sociedade brasileira, Bremmer comentou sobre a queda acelerada de popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

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“É claro que ele perderia alguma popularidade, mas essa queda tão rápida, de quase 50%, mostra um nível de inexperiência política e falta de disciplina, o que pode dificultar que ele consiga passar algumas coisas mais difíceis no Congresso, como a reforma da Previdência”, disse.

Confira a entrevista de Bremmer ao InfoMoney na íntegra no vídeo a seguir:

Crise democrática?

Durante palestra no 10º Congresso de Fundos de Investimento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o cientista político dissertou sobre o cenário de polarização mundial, bem como a ascensão de movimentos populistas.

Segundo ele, a população mundial está passando por uma onda de insatisfação com os governos, por conta de corrupção, desigualdade social, aumento da imigração, avanço das tecnologias e mudanças no “modus-operandi”.

“A globalização, como uma ideologia, falhou. Estamos vivendo uma recessão geopolítica, em um mundo onde a democracia liberal, que costumava ser o modelo ideal, está se enfraquecendo – por isso que a sociedade tem ficado mais brava com a política, fake news etc.”, afirmou.

China

Enquanto as democracias se enfraquecem e ficam cada vez mais polarizadas, a China ergue seu império e, segundo Bremmer, tudo indica que irá liderar os mercados em pouco tempo. “A China é uma super economia e será maior que a dos EUA em dez anos. Assim, a maior economia não será uma democracia liberal”, disse.

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O cientista político reforçou, contudo, que os Estados Unidos não ficarão para trás, mas que não poderão mais ditar todas as regras globais.

Além disso, em um cenário em que a China está investindo ao redor do globo, resta aos demais países, como o Brasil, escolher entre os chineses e os americanos no mercado de tecnologia, por exemplo. “Isso vai fazer com que a política importe ainda mais na hora de investir ao redor do mundo.”

Nesse contexto, Bremmer citou a mudança de discurso de Bolsonaro com relação à potência asiática, que passou de uma retórica anti-China, no período eleitoral, para declarações feitas em março deste ano reforçando o país como o principal parceiro comercial do Brasil.

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