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SÃO PAULO – Em uma segunda-feira (23) marcada pelo anúncio de novas medidas de ajuda ao setor financeiro feito pelo Tesouro dos EUA, pelo saldo positivo da balança comercial brasileira e pela ampliação referente aos leilões de moeda estrangeira no Brasil pelo Banco Central, o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,246, uma desvalorização de 0,80% referente ao fechamento da sessão anterior.
No início da sessão, o Tesouro norte-americano divulgou os detalhes referentes ao seu plano de socorro ao setor financeiro. Serão empregados entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões originários do TARP (Troubled Asset Relief Program). Segundo o comunicado, a soma será capaz de gerar poder de compra de até US$ 500 bilhões pelos chamados ativos podres, sendo possível sua expansão para até US$ 1 trilhão com o decorrer do tempo.
De acordo com Lawrence Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, há interesse substancial de investidores privados na aquisição de ativos tóxicos de instituições financeiras do país. Gestores como Pimco e BlackRock confirmaram as declarações de Summers, manifestando publicamente seus interesses em participar do PIPP (Programa de Investimento Público-Privado).
Todas essas informações no dia trouxeram uma maior euforia ao mercado, fazendo com que a moeda norte-americana se desvalorizasse frente às principais divisas de referência do mundo, como euro, libra esterlina e franco suíço.
Balança comercial
Ainda nesta segunda-feira, foi divulgado o resultado da balança comercial brasileira, que registrou um saldo positivo de US$ 619 milhões na terceira semana de março, que teve cinco dias úteis. No período, foram registradas exportações da ordem de US$ 2,793 bilhões e importações de US$ 2,174 bilhões. Com o resultado, o saldo acumulado no ano ficou positivo em US$ 2,284 bilhões, segundo os dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)
De acordo com o MDIC, nos 54 dias úteis do ano, a média diária das exportações foi de US$ 506,7 milhões, valor 20,7% menor que o registrado no mesmo intervalo de tempo no ano passado. Já a média diária das importações foi de US$ 464,4 milhões, o que corresponde a uma queda de 22,2% na mesma base de comparação.
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Relatório Focus
O Banco Central brasileiro divulgou nesta sessão a versão atualizada do relatório Focus, documento que mostra quais são as estimativas do mercado para 2009 e 2010. Nele, a perspectiva de desaceleração econômica continua chamando atenção, com previsão de menor avanço do PIB (Produto Interno Bruto), além de também mostrar pessimismo em relação ao desempenho da indústria, acreditando que a produção encolha 2% em 2009, recuperando-se em 2010.
Quanto à taxa básica de juro, é projetada uma mediana de 9,25% ao ano, a segunda queda consecutiva nas projeções realizadas pelo BC (na semana passada, a projeção teve mediana de 9,75% ao ano). Para 2010, o juro básico deverá beirar o patamar anual de 9,75%.
Novas regras para os leilões de dólar
Outra confirmação do BC foi a ampliação dos leilões em moeda estrangeira. A medida autoriza o órgão a realizar leilões em que os recursos obtidos por instituições financeiras podem ser alocados livremente, não estritamente ao financiamento de exportações.
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“A edição da resolução 3.691 dá maior flexibilidade ao Banco Central para prover liquidez no mercado de moeda estrangeira, aperfeiçoando os instrumentos já disponíveis, que incluem leilões de venda à vista, leilões e empréstimos para rolagem de dívidas de empresas brasileiras financeiras e não financeiras”, destaca o comunicado publicado pelo Bacen.
O ato representa a ampliação da resolução 3.622, que limitavam os leilões de empréstimo em moeda estrangeira ao recebimento de garantias de títulos soberanos ou ACC (Adiamentos sobre Contratos de Câmbio).
Confira algumas cotações do dólar
O dólar comercial opera cotado a R$ 2,2440 na compra e R$ 2,2460
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na venda, forte baixa de 0,80% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana opera negociada a R$
2,4500, representando um ágio de 9,18%
em relação ao dólar comercial.
Com esta queda, o
dólar acumula desvalorização de 5,27% em março, frente
à alta de 2,69% registrada no mês passado.
No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 3,89%.
Dólar futuro na BM&F
também opera em queda
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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em abril
opera cotado a R$ 2.252,
baixa em relação ao fechamento
de R$ 2.269
da última sexta-feira. O contrato com vencimento em maio, por sua vez, opera em baixa,
atingindo R$ 2.270 frente
à R$ 2.287 do fechamento de
sexta-feira.
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,2450000
FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 0,65% para maio de 2009, 0,10 ponto percentual abaixo do fechamento anterior.