Euforia no álcool tem base? Bear Stearns reduz preço-alvo para ações da Cosan

Empresas ainda são muito dependentes da variação do açúcar no mercado; perspectiva para o preço não anima

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – O banco de investimentos Bear Stearns reduziu o preço-alvo para o final do ano das ações da Cosan (CSAN3) de R$ 40 para R$ 36, mostra relatório enviado nesta quarta-feira. Mas qual será o motivo desta redução, o álcool não tem boas perspectivas pela frente?

Sim. No entanto, algumas variáveis precisam ser consideradas. A primeira é de que a Cosan não produz apenas álcool, mas também açúcar, e o preço desta commodity tem sido pressionado. E as perspectivas do banco não são animadoras.

Preço do açúcar

“Com a maioria dos produtores expandindo a dois dígitos e alguns importadores chave como a Rússia reduzindo a demanda, nós esperamos um maior enfraquecimento no preço do açúcar”, afirma o relatório.

A receita líquida gerada pelo segmento de açúcar representou, nos nove meses encerrados em 31 de janeiro deste ano, 63% do total da Cosan. No ano fiscal de 2006, a receita do açúcar correspondeu a 60%.

Futuro do álcool

Os analistas avaliam que o segmento de etanol oferece um certo alívio, mas que não deve se sustentar enquanto o mercado externo não está disponível. A demanda por etanol no Brasil, que cresce ao passo de 10% ao ano, e nos EUA, tem acelerado, mas a oferta também.

Este cenário faz com que o etanol passe a ser negociado num patamar próximo ao da gasolina nos EUA, reduzindo a atratividade do produto brasileiro, que paga uma amarga tarifa de importação.

Os produtores brasileiros devem mudar o que conseguirem para a produção de etanol, e a expectativa é de que a mistura de álcool na gasolina seja novamente elevada para 25%, “mas isso não será o suficiente”, mostra o relatório.

Queda na tarifa?

“Nós estamos extremamente convencidos que o Brasil trabalha com uma falsa esperança de que a tarifa de US$ 0,54 por galão será revogada em 2009”, diz o Bear Stearns.

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