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SÃO PAULO – Após a “ressaca” do mercado com a reeleição de Dilma Rousseff, nesta terça-feira (28) o Ibovespa teve dia positivo, acelerando os ganhos ao final do pregão. O índice fechou com alta de 3,62%, a 52.330 pontos. As ações que sofreram muito no dia de ontem tiveram recuperação hoje, com o “kit eleições” disparando; destaque para o Banco do Brasil, que fechou com forte alta de 7%.
No topo dos ganhos do Ibovespa, a Gol disparou, com alta de 15,5% em meio a queda do dólar (a companhia tem seus custos na moeda norte-americana), que acelerou suas perdas próximo às 17h. Ainda no radar da empresa de aviação, seguiu a notícia de que o Raymond James elevou a recomendação para suas ações. Em contrapartida, as ações das exportadoras como Fibria e Suzano, que ontem tiveram dia de fortes altas, fecharam hoje entre as perdas, já que os lucros da companhia são cotados na moeda norte-americana.
A estatal Petrobras também teve dia positivo, com suas ações fechando com alta de até 5% após ter apresentado ontem fortíssima queda de mais de 11%. Além delas, chamaram atenção neste pregão também as ações da Light (LIGT3), que subiram forte em meio à notícia de que as tarifas da companhia devem subir 25% a partir de 7 de novembro. Vale mencionar que no aguardo da divulgação de seus resultados a CCR também disparou nesta terça.
Viva do lucro de grandes empresas
Confira os principais destaques deste pregão:
Petrobras (PETR3, R$ 14,51, +4,24%; PETR4, R$ 15,03, +5,18%)
Em um movimento de recuperação após a queda de mais de 11% na véspera, as ações da Petrobras fecharam com em alta após a reeleição de Dilma Rousseff.
De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, um reajuste no preço da gasolina deve vir em breve. Porém, segundo o jornal, deve ser menor do que vem pedindo a presidente da estatal, Graça Foster, nos últimos meses. O Palácio do Planalto ainda não bateu o martelo sobre quando será o aumento de preço, mas o tema está na pauta da reunião do Conselho de Administração da companhia, da próxima sexta-feira, dia 31.
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O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a afirmar que aumentos de preços ocorrerão ainda em 2014, em meio à tradição de conceder ao menos um reajuste a cada ano. Dentro do conselho de administração, no entanto, não há consenso de que este seja o melhor momento.
Itaú (ITUB4, R$ 33,90, +5,94%), Bradesco (BBDC3, R$ 33,31, +6,02%; BBDC4, R$ 35,15, +6,77%) e BB (BBAS3, R$ 26,15, +7,17%)
As ações do Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil fecharam entre as altas nesta sessão, também em um movimento de recuperação após terem caído forte na véspera. Entre a mínima de ontem e a máxima de hoje, os papéis subiram já 10%.
No noticiário do Banco do Brasil, destaque ainda para a matéria do jornal O Globo desta manhã, a presidente deve escolher um substituto para o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, antes do fim do seu primeiro mandato em meio aos desgastes que ele vem sofrendo, sendo mais uma vez alvo de denúncias.
Para o lugar de Bendine, estão cotados os nomes do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, e o atual vice-presidente de Negócios de Varejo, Alexandre Abreu, informou a publicação.
Gol (GOLL4, R$ 12,45, +15,49%)
As ações da Gol fecharam a sessão desta terça como a maior alta do Ibovespa. Além da queda do dólar hoje, após ter atingido a maior cotação desde 2008, a empresa teve sua recomendação elevada de market perform (desempenho em linha com a média) para outperform (desempenho acima da média) pela Raymond James. O preço-alvo das ações em 12 meses é de US$ 6. Nesta sessão, o dólar fechou com queda de 1,93%, cotado a R$ 2,47.
Destaque ainda para a notícia de que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) permitiu a alocação de uma frequência semanal à companhia aérea Gol para realização de serviços aéreos mistos entre o Brasil e EUA. Para a TAM, foram alocadas 14 frequências semanais.
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Educação
O setor de educação voltou a fechar em alta nesta sessão em reação à reeleição de Dilma Rousseff. Analistas comentam que investidores estão em busca de papéis de empresas com perfil mais defensivo neste cenário. Destaque neste pregão para as ações da Estácio (ESTC3, R$ 27,85, +6,58%), Kroton (KROT3, R$ 16,25, +5,11%), Ser Educacional (SEER3, R$ 26,00, +7,44%) e Anima Educação (ANIM3, R$ 30,00, +5,63%). Vale mencionar que nos útimos três dias as ações da Ser disparam 21%.
Light (LIGT3, R$ 19,93, +9,51%)
As ações da Light fecharam com forte alta e puxaram a valorização de outros papéis de elétricas. A conta da companhia pode subir em 25% a partir do dia 7 de novembro, informou O Globo. A empresa havia solicitado o reaujuste à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Não foi informado ainda qual será o índice para a indústria e qual será o aumento para os consumidores.
Fibria (FIBR3, R$ 28,50, -1,55%), Suzano (SUZB5, R$ 10,09, -0,98%) e Klabin (KLBN11, R$ 11,50, -1,79%)
Por outro lado, os papéis das empresas de papel e celulose foram destaque de baixa na Bolsa hoje com a queda do dólar, uma vez que parte da receita das companhias está atrelada à moeda americana.
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Além disso, os investidores aproveitam o momento para embolsar lucro após fortes altas nos últimos dias. Do dia 14 de outubro até ontem, as ações da Fibria e Suzano subiram 17% e 14%, respectivamente.
Já no caso da Klabin, destaque para a divulgação de resultados. A empresa registrou queda de 96% no lucro líquido do terceiro trimestre ante igual período do ano passado, a R$ 7 milhões, influenciada principalmente pelo impacto negativo da variação cambial. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia somou R$ 451 milhões no terceiro trimestre, aumento de 6% na comparação anual.
Siderúrgicas
Com o movimento negativo do dólar, também fecharam em queda hoje as ações do setor de siderurgia. Destaque para Usiminas (USIM5, R$ 5,95, -4,19%), Gerdau Metalúrgica (GOAU4, R$ 13,41, -1,32%) e Gerdau (GGBR4, R$ 11,17, -0,89%), que ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa hoje. Destoou do movimento as ações da CSN (CSNA3, R$ 8,45, +0,96%), que fecharam com leve alta nesta terça.
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Nesta terça ainda, a Usiminas viu seus papéis serem recomendados para “neutro” pela Fator Corretora, com preço-alvo de R$ 7,80 por ação.
Vale (VALE3, R$ 26,14, -0,80%; VALE5, R$ 22,63, -0,18%)
As ações da Vale também ganharam destaque nesta sessão, com seus papéis fechando com leves perdas. O Goldman Sachs cortou as estimativas para a mineradora, esperando resultados mais fracos no terceiro trimestre, após publicação de dados operacionais do período. Na próxima quinta-feira (30), a companhia divulgará seu balanço dos meses de julho a setembro.
CCR (CCRO3, R$ 17,50, +6,38%)
Ações da concessionária de rodovias fecharam em alta com o mercado olhando para setores que podem se beneficiar dos programas de governo da presidente Dilma Rousseff (PT), como o de infraestrutura. Essa é a avaliação do analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, que ainda disse serem atrativos os papéis de perfil mais defensivo em um cenário de incerteza como o atual.
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Além disso, o setor também possui um hedge natural contra um quadro de aumento da inflação por conta do reajuste dos pedágios atrelado às variações do IPCA. Para o analista, papéis do setor de Educação, que também fazem parte das políticas de desenvolvimento da atual gestão, tendem a subir com Dilma.
Cielo (CIEL3, R$ 38,94, +2,80%)
As ações da Cielo fecharam entre os ganhos, antes da divulgação de resultados corporativos do terceiro trimestre ainda na noite desta terça e após sua recomendação ter sido elevada de manutenção para compra pelo Santander.
Duratex (DTEX3, R$ 8,22, +0,83%)
As ações da Duratex chegaram a subir 2,82% na máxima do dia após a divulgação de resultados, mas diminuíram os ganhos e fecharam com leve alta. A fabricante de painéis de madeira e louças e metais sanitários, registrou lucro líquido atribuído aos sócios da empresa de R$ 82,2 milhões no terceiro trimestre, representando queda de 51,7% frente ao registrado no mesmo período de 2013. A receita de venda de bens e serviços da companhia totalizou R$ 1,057 bilhão, com alta de 2,9% na comparação anual, mas os custos cresceram 15,1% na mesma base de comparação, para R$ 728,1 milhões no terceiro trimestre deste ano.