Destaques da Bolsa

Euforia das commodities: Petrobras, Vale e siderúrgicas disparam até 11%; Magazine Luiza supera os R$ 600

Confira os principais destaques da bolsa desta sexta-feira

BRF (BRFS3, R$ 43,57, +2,47%)

O Conselho de Administração da BRF, líder do mercado de alimentos processados no país e dona de marcas como Sadia e Perdigão, destituiu o presidente da empresa, Pedro Faria, em meio à grandes divergências dentro do grupo.

Em nota, o presidente do conselho da empresa, Abilio Diniz, afirmou que Faria ficará no cargo até o fim deste ano. “Foi uma decisão em conjunto”, disse ele em teleconferência após o anúncio, onde Faria também comentou: “Será uma transição para um novo ciclo”.

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Ele disse que poderá voltar à Tarpon, mas que ainda não tem destino certo. Abilio disse que o novo presidente da BRF será alguém de fora da empresa, mas insistiu que não houve “erros”, e sim “correções de rumo” na gestão do grupo. “Saímos de um ciclo muito adverso”, afirmou. Além disso, Abilio escreveu uma carta agradecendo Pedro Faria. 

O BTG Pactual afirmou que esse anúncio não foi uma grande surpresa. Os analistas ressaltam que, ao longo dos últimos trimestres, já estava ocorrendo a saída de vários executivos da Tarpon, ou indicados por ela e, agora, a saída do CEO parece marcar o ultimo capítulo do processo de “turnaround” que começou em 2013. “Esperamos que o novo CEO tenha um perfil mais ‘neutro’, que consiga alinhar os interesses da maioria dos acionistas (fundos de pensão, Abílio Diniz e minoritários). Nossa visão positiva no case está reiterada”, apontam os analistas. 

Vale (VALE3, R$ 35,75, +1,91%; VALE5, R$ 33,09, +1,57%)

As ações da Vale seguem o movimento de ganhos da véspera, repercutindo mais uma vez a alta do minério de ferro em meio aos dados positivos da China. Em Dalian, o minério registrava ganhos de 4,29%, a 583 iuanes. No gigante asiático, uma pesquisa privada da IHS Markit com a Caixin Media confirmou ontem à noite o que dados oficiais já haviam mostrado no dia anterior: a indústria da segunda maior economia do mundo também ganhou força, com o PMI de agosto subindo de 51,1 em julho para 51,6 em agosto, o nível mais alto em seis meses.

Além de Vale, as siderúrgicas têm uma sessão de ganhos. O grande destaque fica para a Usiminas (USIM5, R$ 7,63, +10,89%) Gerdau (GGBR4, R$ 12,48, +5,32%) e CSN (CSNA3, R$ 9,25, +6,44%). No caso da Gerdau, a companhia teve a recomendação elevada de neutra para overweight pelo JPMorgan. Ontem, o BTG havia recomendado elevar a exposição na siderúrgica antes de novos reajustes do preço de aço. Os analistas do BTG apontaram que os preços do aço longo devem subir mais 15% em setembro, após a elevação de 10% em julho-agosto. 

Além disso, no radar, a Usiminas – que atinge o patamar mais alta hoje desde setembro de 2014 – informou ontem que obteve dispensa para troca de notas com vencimento 2018. Bancos japoneses e debenturistas concordaram com dispensa da obrigatoriedade da oferta de troca das notas de 2018 emitidas por Usiminas Commercial. 

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Magazine Luiza (MGLU3, R$ 583,45, +2,72%) e Via Varejo (VVAR11, R$ 17,04, +3,27%)

Destacando que o setor de eletroeletrônicos e móveis parece ter entrado numa fase de recuperação do crescimento após uma queda de 30% nas vendas desde o início da recessão, o Bradesco BBI revisou suas estimativas para Magazine Luiza e Via Varejo. De acordo com os analistas do banco, o crescimento será bem suportado pela demanda reprimida, com muitos produtos vendidos em volumes abaixo dos níveis de substituição. Nesta sessão, as ações do Magazine Luiza chegaram a saltar 6,33%, a R$ 603,98, mas logo diminuíram ganhos. 

“O setor já tem reagido fortemente, mas pensamos que muito do upside ainda está por vir”, apontam. Deste modo, eles elevaram a recomendação de Via Varejo para Outperform, com novo preço-alvo de R$ 22,00, impulsionado por estimativas mais otimistas e menor risco em torno de valuation. “Nós mantivemos Magazine Luiza como Outperform, com nosso novo preço-alvo de R$ 575,00 refletindo uma aceleração mais agressiva da operação de lojas físicas e também menor risco de valuation”, apontam os analistas.

Petrobras (PETR3, R$ 14,63, +4,80%;PETR4, R$ 14,10, +3,30%)

A sessão é de queda para o petróleo mas, em meio ao sentimento positivo do mercado nesta sessão e com a alta da gasolina em meio ao furacão Harvey, as ações da Petrobras registram um dia de ganhos. 

Como resultado do furacão Harvey, a capacidade de refino dos EUA foi reduzida em cerca de 24%, elevando os preços da gasolina em cerca 20% na semana passada, diz UBS em relatório. De acordo com os analistas do banco, os movimentos de preços significativos poderiam testar o compromisso da Petrobras de manter um prêmio sobre a paridade internacional. Para todo o mês de agosto, os preços domésticos da gasolina em reais aumentaram 19%, enquanto o aumento acumulado da Petrobras foi de apenas 7%. O UBS tem preço alvo de R$ 18 por ação e recomendação de compra. 

Vale destacar que a Petrobras elevará os preços dos combustíveis a partir do sábado, 2 de setembro. Nas refinarias, a gasolina subirá 2,7% e o diesel, 4,4%. A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.

Bancos

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Os bancos também registram ganhos expressivos nesta sessão, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 41,38, +2,62%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 31,66, +3,13%), Santander Brasil (SANB11, R$ 28,37, +1,18%) e Bradesco (BBDC3, R$ 33,07, +2,54%; BBDC4, R$ 34,56, +2,92%). 

No noticiário do setor, o Itaú aprovou a recompra de até 39,2 milhões de ações PN e 60 milhões de papéis ON até novembro de 2018. O programa de recompra será válido entre 1 de setembro de 2017 e 26 de novembro de 2018, segundo fato relevante. O Conselho também aprovou encerrar a partir de 1 de setembro, por antecipação, o programa de recompra de até 10 milhões de ações ON e 50 milhões de ações PN aprovado em maio e que seria válido até novembro de 2018. 

JBS (JBSS3, R$ 8,67, 0,0%)

O cenário é conturbado na JBS. Nesta manha, a Justiça deferiu parcialmente o agravo de instrumento da J&F e suspendeu, por 15 dias, a Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) da JBS. A holding, da família Batista, recorreu na quinta-feira contra liminar concedida a pedido do BNDES e Caixa, que havia impedido a participação de Wesley e Joesley Batista na assembleia. A suspensão aconteceu minutos antes do início da assembleia. Acionistas já estavam e permanecem reunidos na manhã desta sexta-feira na sede da JBS.

A juíza federal que assina a decisão, Gisele de Amaro e Franca, afirma no documento que diante das controvérsias, a decisão na postergação tem como fato o estatuto da empresa contar com a possibilidade de arbitragem, a qual deverá ser a ferramenta utilizada para se estabelecer se há ou não conflito de interesse. A CVM se omitiu em se manifestar sobre o tema, o que levou o BNDES entrar com ação da Justiça. Na quinta-feira, o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) e a Caixa Econômica Federal, acionistas da JBS, conseguiram na Justiça Federal de São Paulo liminar para impedir que os controladores da companhia participassem da AGE. Os bancos públicos querem votar pela saída de Wesley Batista do comando da empresa de alimentos.

Oi (OIBR4, R$ 3,62, -2,16%)

A Oi vê suas ações em queda. Na noite de ontem, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) afirmou que vai analisar a possibilidade de abertura de processo de caducidade da concessão e de cassação das autorizações da operadora em recuperação judicial Oi.

Linx (LINX3, R$ 18,36, +0,16%) e Totvs (TOTS3, R$ 31,07, +0,03%)

Em um dia de ânimo para os mercados, as ações das duas empresas operam próximas à estabilidade de olho em uma potencial mudança que pode afetar o setor. 

Segundo notícia que saiu no O Globo, o presidente interino Rodrigo Maia, enviou para o Congresso o projeto de lei que trata da reoneração da folha de pagamento (substitui a extinta MP774). Segundo a notícia, somente alguns setores estariam fora, o que não é o caso para o setor de tecnologia o que, segundo o BTG, foi uma surpresa, considerando que este setor havia sido tirado pelos congressistas durante as discussões da MP774. “A notícia deve pesar nas ações do setor, mas apesar de reconhecermos que o risco aumentou, ainda achamos que faz sentido os deputados voltarem a retirar os mesmos setores que haviam sido poupados durante as discussões da MP774 alguns meses atras. Se a reoneração para o setor for confirmada, o impacto seria de 8.5% e 8% para a Linx e a Totvs respectivamente, lembrando que ambas falam em repassar parte do aumento para os preços”, avaliam os analistas. 

Lupatech (LUPA3, R$ 3,53, +6,01%)

A Lupatech registra ganhos expressivos nesta sessão. Hoje, a companhia anunciou que diversas empresas do Grupo aderiram ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), mediante pagamento, em espécie, de R$ 4,1 mi à vista, divididos em 5 pagamentos, e outros R$ 7,4 mi em 145 parcelas mensais, segundo comunicado. Com isso, o Grupo Lupatech reorganizou montante de R$ 54,4 mi de seu passivo relacionado a contingências fiscais. Deste valor, R$ 41,4 milhões são referentes a débitos de competência da Receita Federal, e R$ 13 milhões a débitos junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, segundo o comunicado. Para liquidação do restante da dívida fiscal consolidada, serão utilizados R$ 24 milhões em prejuízos fiscais acumulados do Grupo, em conformidade com as condições do PERT. “O referido programa gera um benefício direto ao Grupo Lupatech com descontos em juros, multas e encargos que totaliza R$ 18,9 milhões, além de representar mais um importante passo da Companhia em seu processo de reestruturação”. 

Taesa (TAEE11, R$ 22,61, +0,49%)

Confirmada na carteira do Ibovespa que vigorará a partir da próxima segunda até dezembro, as units da Taesa registram um dia próximo à estabilidade. A participação é de 0,357%.