EUA revogam licença para venda de petróleo iraniano após ataques em Ormuz

Medida eleva tensão com Teerã, impulsiona petróleo e ameaça negociações diplomáticas

Gabriel Garcia

Fumaça sobe após o que o Irã diz ter sido um ataque israelense ao depósito de petróleo Sharan em Teerã, Irã, em 16 de junho de 2025. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Fumaça sobe após o que o Irã diz ter sido um ataque israelense ao depósito de petróleo Sharan em Teerã, Irã, em 16 de junho de 2025. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

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Os Estados Unidos revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano, afirmou uma autoridade americana nesta terça-feira, ao classificar como “totalmente inaceitáveis” as ações do Irã no Estreito de Ormuz e alertar para consequências após ataques a petroleiros na região.

Após o anúncio, os preços do petróleo subiram mais de 3%. Ainda assim, a autoridade afirmou que os negociadores seguem trabalhando para alcançar um acordo final com o Irã, apesar da recente escalada de tensões.

A decisão americana veio depois de três petroleiros relatarem ter sido atingidos por projéteis de origem desconhecida no Estreito de Ormuz e em áreas próximas nos últimos dias, segundo relatório da UKMTO, agência ligada à Marinha britânica. Até o momento, não houve comentário imediato de Teerã, nem reivindicação de autoria dos ataques.

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Os episódios e a resposta de Washington ameaçam desestabilizar o já frágil entendimento diplomático entre os dois países, elevando o risco de novas retaliações que possam comprometer as negociações por um acordo mais amplo.

Outra autoridade dos EUA, sob condição de anonimato, disse que os indícios iniciais apontam que o Irã disparou contra três navios mercantes.

A possível escalada ocorre justamente quando os dois lados vinham avançando em conversas para um acordo que incluiria limites ao programa nuclear iraniano e o alívio de parte das sanções, entre elas restrições às exportações de petróleo.

O Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre Irã e Omã, é um dos pontos mais sensíveis do mundo para o transporte de energia. Pela rota passa diariamente cerca de um quinto do consumo global de petróleo, além de grandes volumes de gás natural liquefeito.

Qualquer interrupção prolongada no tráfego da região pode elevar os preços da energia e aumentar a pressão sobre consumidores e governos que já convivem com custos elevados de combustíveis.

As exportações de petróleo seguem sendo uma fonte essencial de receita para o Irã, gerando bilhões de dólares em moeda forte e ajudando a sustentar uma economia fragilizada por anos de sanções americanas.

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Apesar das restrições, Teerã conseguiu ampliar os embarques nos últimos anos, principalmente para a China, tornando o petróleo uma das principais âncoras da economia do país.

Uma nova tentativa de restringir essas exportações, portanto, pode aumentar a pressão sobre as finanças iranianas e sobre a capacidade do governo de bancar programas internos e sua atuação regional.

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