EUA ofuscam “efeito Copa” em Datafolha, Bolsa sai do ostracismo e sobe 1,6%

Melhora de Dilma nas pesquisas não atrai pessimismo dos investidores e índice tem dia de euforia após 5 pregões andando de lado

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SÃO PAULO – Nos últimos três meses e meio, a Bolsa brasileira estava tendo como maior vetor as pesquisas eleitorais e seguia a máxima: quando as intenções de voto em Dilma Rousseff caíam, o Ibovespa subia. Porém, este movimento não se repetiu hoje: mesmo após o Datafolha revelar uma alta da presidente, de 34% para 38% das intenções de voto, o índice fechou com ganhos de 1,59%, a 53.874 pontos, se recuperando da queda da véspera e de uma série de 5 pregões entre quedas e estabilidade. Apenas 2 das 71 ações que compõem o índice caíram mais de 1%. O giro financeiro da Bovespa foi de R$ 5,11 bilhões.

A queda de Dilma Rousseff costuma levar a uma alta das ações uma vez que os investidores estão mostrando que querem uma mudança no governo. O mercado vê negativamente as intervenções do atual governo em alguns setores da economia e que se reflete principalmente na estatal. Assim, quanto menor a chance da reeleição de Dilma, mais animado o mercado parece ficar. No entanto, algo diferente foi visto nesta sessão, véspera do pregão reduzido por conta do jogo da seleção brasileira contra a Colômbia, pelas quartas de final da Copa do Mundo.

Há algumas razões para isso, conforme aponta o analista da Geral Investimentos, Carlos Müller. A primeira, é que a pesquisa em si não surpreendeu, já que o mercado já esperava que a candidatura de Dilma se sustentasse uma vez que a Copa do Mundo está sendo bem sucedida. Além disso, mesmo com a presidente saindo fortalecida após o evento, ainda há dúvidas sobre se os efeitos permanecerão até o início de outubro, quando ocorrerá o segundo turno. Por outro lado, a vantagem de Dilma contra Aécio Neves voltou a cair: 7% em julho (46% a 39%), contra 8% em junho e 11% em maio, sendo esta uma boa notícia para o candidato tucano.

Ainda sobre eleições, vale destacar que, desde o início da Copa, o Ibovespa não registra uma sessão tão positiva. Do último 11 de junho até o fechamento de ontem, o índice teve queda superior a 3%, acentuando as perdas após a divulgação da pesquisa Ibope no último dia 19 de junho, que mostrou uma alta nas intenções de voto para presidente. Com isso, o índice já vinha sofrendo expressivamente e repercutindo a alta de Dilma nas pesquisas.

Dow Jones bate recorde; dólar cai
Outro fator que pode ter inflado o otimismo dos investidores na Bovespa é o noticiário americano, com o resultado dos dados do emprego no país surpreendendo mais uma vez, completados pela fala da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, que acalmou os investidores ao afirmar que manterá os juros baixos mesmo com os indicadores favoráveis ao reaquecimento da economia local.

De acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, ao todo, foram criados 288 mil novos postos, acima do que foi visto em maio (217 mil) e das estimativa do mercado (210 mil postos). Já a taxa de desemprego caiu de 6,3% para 6,1%, enquanto a expectativa dos analistas era de manutenção.

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Com 3 horas a menos, por conta do feriado do Dia da Independência, que deixará bolsas e bancos fechados nos EUA nesta sexta-feira, os principais índices acionários do país fecharam positivos, com o Dow Jones superando os 17 mil pontos pela primeira vez na história.

Já o dólar fechou em queda de 0,57% nesta quinta-feira, cotado a R$ 2,2116 na venda, após registrar ganhos expressivos na véspera. A fala de Yellen ajuda mercados emergentes, como o brasileiro, a se manterem atraentes para investidores estrangeiros, o que contribui para a manutenção da oferta de dólares nos mercados.

Destaques do pregão
Do lado da Bolsa, o cenário corporativo também contou favoravelmente. As ações “pesos-pesados”, como é o caso da Vale (VALE3, R$ 31,04, +1,97%; VALE5, R$ 27,78, +2,13%) chamaram mais a atenção, com forte alta dos papéis da mineradora pelo 4° pregão seguido. A Bradespar (BRAP4, R$ 21,29, +1,72%), holding que detém participação na Vale, também fecharam no positivo. Os papéis da empresa seguem a alta dos últimos três dias e impulsionados novamente pelos dados bons da China, com o PMI de serviços mostrando estabilidade da economia do gigante asiático – principal destino das exportações da mineradora.

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Dando continuidade ao movimento de euforia da véspera, as ações das exportadoras voltaram a ser destaque no pregão, com as siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 10,13, +4,87%), Gerdau (GGBR4, R$ 13,68, +3,01%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,34, +2,84%) subindo forte, assim como a Fibria (FIBR3, R$ 23,12, +3,68%), empresa do setor de papel e celulose.

Além disso as companhias elétricas também fecharam em forte alta, após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) propor um reajuste de 18,66% para as tarifas de energia da companhia Eletropaulo (ELPL4, R$ 10,29, +0,19%). Em destaque, ficaram os papéis da dupla Cesp (CESP6, R$ 28,86, +3,63%) e Cemig (CMIG4, R$ 16,50, +3,45%): vale ressaltar que a companhia mineira pede uma correção de dois dígitos na conta de luz para repor as despesas com aquisição de energia e o acionamento de usinas térmicas.

Também contribuíram para o dia de ganhos expressivos do Ibovespa a recuperação das ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,34, +1,55%; PETR4, R$ 17,50, +2,22%), após chegarem a cair 1,58% no intraday, além dos papéis das instituições financeiras – lideradas pelo Bradesco (BBDC3, R$ 33,19, +2,82%; BBDC4, R$ 32,49, +1,75%) -, que na véspera haviam pesado na queda do benchmark da bolsa brasileira.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON 10,13 +4,87 -29,55 60,72M
 FIBR3 FIBRIA ON 23,12 +3,68 -16,38 26,76M
 CESP6 CESP PNB 28,86 +3,63 +43,11 30,33M
 CMIG4 CEMIG PN ED 16,50 +3,45 +42,53 43,01M
 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON EJ 23,00 +3,19 -2,02 21,91M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 1,76 -2,76 -50,97 200,57M
 LIGT3 LIGHT S/A ON 20,70 -2,08 +3,02 21,81M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,45 -0,95 -1,15 7,77M
 RSID3 ROSSI RESID ON 1,63 -0,61 -20,10 3,41M
 EVEN3 EVEN ON 6,52 -0,46 -16,59 8,29M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 27,78 +2,13 496,28M 306,09M 31.374 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,50 +2,22 455,27M 547,01M 26.663 
 BBDC4 BRADESCO PN EDJ 32,49 +1,75 203,92M 250,65M 13.406 
 OIBR4 OI PN 1,76 -2,76 200,57M 89,70M 20.123 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,79 +0,73 194,24M 307,84M 12.403 
 GGBR4 GERDAU PN 13,68 +3,01 170,66M 64,24M 19.465 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,30 +1,88 155,56M 158,97M 13.465 
 KROT3 KROTON ON 61,38 +1,86 139,17M 102,93M 8.080 
 VALE3 VALE ON 31,04 +1,97 138,27M 104,59M 10.507 
 CIEL3 CIELO ON 44,80 +1,82 135,80M 122,36M 10.696 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Outros destaques
Além disso, tanto na China quanto no Brasil, os números do setor de serviços animaram. A entrada de novos pedidos sustentou a expansão do setor de serviços do Brasil em junho, que atingiu o melhor resultado desde o final do ano passado com forte recuperação das expectativas, apontou o PMI (Índice de Gerentes de Compras) nesta quinta-feira. O PMI de serviços do Brasil avançou em junho a 51,4, após ficarem em 50,6 em maio, quinto mês seguido acima da marca de 50 que divide crescimento de contração e o melhor nível desde dezembro passado (51,7).

Já a atividade do setor de serviços da China expandiu no ritmo mais rápido em 15 meses em junho. O PMI de serviços do HSBC/Markit se recuperou para 53,1 em junho ante 50,7 em maio, bem acima da marca de 50 que separa crescimento de contração na atividade.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.