Comentário Semanal

EUA ofusca Petrobras e Ibovespa fecha com ganhos de 1,93% na semana

Bons dados de emprego da economia norte-americana e produção industrial chinesa impulsionaram índice, apesar da desvalorização de mais de 8% dos papéis da estatal

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SÃO PAULO – A semana do Ibovespa, encurtada devido ao feriado de Finados desta-feira (2), registrou ganhos de 1,93%, aos 58.382 pontos, revertendo a queda dos dois períodos anteriores. Os primeiros dias da semana seguiram sem muitas referências, devido à passagem do furacão Sandy pelos Estados Unidos, que assolou a costa leste norte-americana.

Entretanto, a agenda de indicadores dos EUA nesta quinta-feira trouxe diversas referências positivas, impulsionando o índice. Isso fez com que as perdas obtidas pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4) – uma das mais representativas do índice – não resultassem em uma nova semana de queda para o benchmark da bolsa.

A forte tempestade nos EUA foi o primeiro efeito climático a paralisar a bolsa norte-americana por 2 dias seguidos, na segunda e terça-feira desde 1888. Isso fez com que 1.225 empresas com ações negociadas nos EUA deixassem de movimentar US$ 117,4 bilhões por dia de parada, de acordo com a Economática.

Agenda dos EUA ofusca queda de Petrobras
Entretanto, com a abertura dos mercados norte-americanos, na última quarta-feira (31), as ações da Petrobras, tiveram fortes perdas, com a volta dos estrangeiros na bolsa brasileira. Esses ativos refletiram a saída dos investidores norte-americanos, que pouco negociaram esses papéis nas sessões e que ainda avaliaram o resultado ruim divulgado na sexta-feira da semana anterior.

Com isso, os papéis da petrolífera registraram uma das maiores quedas semanais do índice, com baixas de 8,15% e 7,99% para os ativos PN e ON, respectivamente. Mesmo com esta forte queda de uma das ações com maior peso do índice, o Ibovespa seguiu com uma trajetória positiva.

Com o furacão fechando os mercados norte-americanos no começo da semana, boa parte dos indicadores previstos para os pregões anteriores foi remarcado para esta quinta, que registrou uma agenda bastante carregada devido ao adiamento de alguns destes indicadores. Os resultados positivos impulsionaram as bolsas, com a criação de empregos no setor privado dos EUA superando as expectativas, fazendo os pedidos de auxílio-desemprego virem abaixo do esperado. Já a produtividade do trabalhador dos EUA avançou 1,9% no 3º trimestre.

Com estes dados positivos, o benchmark da bolsa brasileira registrou ganhos de 2,30% no último pregão da semana, revertendo o saldo negativo que havia desde então no acumulado do período.

Destaques corporativos
A temporada de resultados continuou movimentando os mercados brasileiros durante a semana. Os resultados das companhias siderúrgicas, de papel e celulose e telefonia fizeram com que os papéis se movimentassem de acordo com o desempenho apresentado no período.

A TIM Participações (TIMP3) chegou a apresentar fortes quedas após a divulgação de seu resultado na noite de terça-feira, ao reportar estabilidade em alguns números de seu balanço, abaixo do esperado pelos analistas. Entretanto, as ações da companhia fecharam a semana como a maior alta do índice, com ganhos de 8,46%, aos R$ 4,87.

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A quinta-feira contou com a divulgação dos números das siderúrgicas. Dentre elas, a Gerdau (GGBR4) revelou um lucro líquido no terceiro trimestre de 2012 de R$ 408 milhões, queda de 43% em relação ao mesmo período do ano passado. Houve ainda uma surpresa negativa, que foi a desistência da empresa em encontrar parceiro para seu braço de mineração.

A Usiminas (USIM3;USIM5), por sua vez, apresentou prejuízo líquido de R$ 124,9 milhões no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 154 milhões do mesmo período do ano passado. Já a CSN (CSNA3), conseguiu reverter as perdas e registrou um lucro líquido de R$ 159 milhões no terceiro trimestre deste ano. Entretanto, na comparação com o mesmo período de 2011, o lucro líquido recuou 85,11%.

Dentre as companhias do setor de varejo, o Pão de Açúcar (PCAR4) registrou um lucro cerca de 65% maior no terceiro trimestre, totalizando R$ 210 milhões. Já a Lojas Marisa (AMAR3) registrou lucro líquido de R$ 66,3 milhões no terceiro trimestre de 2012, com aumento de 95% em relação ao mesmo período do ano passado.

No começo da semana a Lojas Renner (LREN3) reportou um lucro líquido de R$ 68,5 milhões entre julho e setembro de 2012, alta de 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por fim, a Fibria (FIBR3) registrou prejuízo de R$ 212 milhões no trimestre.

Fora dos balanços corporativos, o destaque ficou com a questão sobre o uso de amianto crisotila no Brasil, a ser julgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em meio ao impasse, as ações da Eternit (ETER3; R$ 8,85, -9,23%) registraram uma alta volatilidade, uma vez que cerca de 30% de suas receitas correspondem à venda “in natura” do insumo. O julgamento, que teve início na tarde de quinta-feira (31), foi interrompido e corre o risco de ser retomado apenas no ano que vem.

Nas pontas do índice, destaque para os papéis da OGX Petróleo (OGXP3), que registraram a maior alta com ganhos de 8,46%, aos R$ 4,87, enquanto a Rossi Residencial (RSID3) vê suas ações registrarem a maior queda do período, com perdas de 6,39%, aos R$ 4,25.

Ásia e Europa
No continente asiático, as notícias positivas ficaram com a China. O PMI (Índice de Gerentes de Compra) do país, medido pelo HSBC, subiu para 49,5 em outubro – seu maior nível em oito meses – em comparação com a leitura final de 47,9 em setembro. Ainda que o índice continue em território contração, a alta é o mais recente sinal de recuperação da economia chinesa.  Já o governo chinês publicou o PMI oficial do país, o qual aumentou para 50,2 em outubro, de 49,8 em setembro.

Além disso, o resultado da reunião de política monetária do BoJ (Bank of Japan, no começo da semana, mereceu destaque. O banco anunciou a ampliação do programa de compra de ativos em 11 trilhões de ienes – incluindo 1 trilhão de ienes em ativos de riscos como os fundos ETF. A medida veio em linha com o esperado, mas parte dos investidores esperava uma flexibilização um pouco maior por parte do BoJ.

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Os desdobramentos da crise da dívida na Europa também chamaram a atenção dos investidores, com destaque para o encontro entre o primeiro-ministro italiano Mario Monti e o presidente espanhol Mariano Rajoy, em Madri. Ainda por lá, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a União Europeia rejeitaram as reformas em pacote de austeridade da Grécia. Os credores internacionais recusaram-se a fazer qualquer nova concessão sobre as medidas trabalhistas contestadas por um membro menor do governo de coalizão.

Além disso, a situação econômica da Espanha seguiu como motivo de preocupação, com o PIB (Produto Interno Bruto) do país encolhendo 0,3% no terceiro trimestre, na comparação trimestral, mas superando a expectativa do mercado. Em termos anualizados, o indicador registrou queda de 1,6%, indicando que o país continua em recessão.

Agenda da próxima semana
Dentro da agenda para o período entre 5 e 9 de novembro, os destaques domésticos ficam para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No cenário norte-americano, as atenções estão voltadas para as eleições presidenciais, que ocorrem na terça-feira (6). Entre os indicadores, destaque para os dados de crédito ao consumidor e a balança comercial do país.

Na Europa, o destaque fica para as reuniões do BCE (Banco Central Europeu) e do Bank of England, ambos marcados para quinta-feira. Por fim, na Ásia, o governo chinês divulga os indicadores de Produção Industrial e Vendas no Varejo do país.