EUA levaram equipamentos militares para conflito mais profundo, diz especialista

Antes visto como forma de pressão em negociações, tipo e quantidade de recursos bélicos indica agora que conflito pode se estender

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Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado (28) não surpreenderam especialistas, mas quantidade e tipo recursos bélicos dos EUA na região, sim. E isso pode indicar um conflito mais duradouro e profundo, na avaliação do cientista político e professor de de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Santoro

“Embora isso pudesse ser uma maneira de pressionar o Irã, a quantidade e o tipo de equipamento militar levados já apontavam que seria um conflito mais profundo”, afirma. Para o professor, a quantidade de aviões de guerra e o tipo de armamento deslocado para a região chamaram atenção.

Nas últimas semanas, mesmo que os EUA buscassem o que o professor entende como “concessões grandes demais do Irã” (como abrir mão da política de defesa desenvolvida desde os 1980 e de qualquer enriquecimento de urânio), parecia haver a possibilidade de algum compromisso.

O que se vê agora são ataques conjuntos e contra-ataques do Irã em 5 países, como pontua Santoro. Isso, para o professor, pode se traduzir em impactos variados, desde forte alta de petróleo quando as bolsas abrirem na segunda-feira até caos na aviação global por rotas desviadas por causa da guerra.

“O mais importante neste momento é analisar a capacidade de destruição dos aliados e a capacidade de contra atacar, em especial em bases navais”, afirma, citando instalações atingidas no Bahein e no Catar.

A perspectiva de caos é ainda mais presente considerando que hoje é dia útil no Irã, o que reforça o sentimento para o população. Mesmo com declarações do presidente Donald Trump sobre a necessidade da população se insurgir, as manifestações parecem mais distantes, em especial porque já haviam arrefecido.

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“Os americanos e os israelenses querem decaptar a liderança no Irã, parece algo mais voltado para a mudança de regime”, afirma. A principal dificuldade, nesse caso, é a ausência de oposição organizada que pudesse garantir a transição de poder.

“Dentro do irã, príncipe herdeiro não tem apoio, nem protagonismo. Fora ele, não há um movimento que se conheça além das manifestações populares”, diz.

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Camille Bocanegra
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Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.