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SÃO PAULO – Desde que a crise do subprime tomou o centro das atenções dos investidores mundo afora, toda preocupação com o tema se relaciona, de alguma forma, à política monetária e ao ritmo da atividade econômica nos Estados Unidos.
Neste sentido, de uma forma geral, pode-se dizer que depois de agosto, quando as turbulências no mercado de crédito tinham marcado seu pico, o mercado chegou a ensaiar uma recuperação pautada na expectativa de que as medidas anunciadas pelo Fed seriam suficientes para sanar, ou melhor, evitar maiores danos.
De fato, diante das incertezas que circundavam o potencial da maior economia do mundo, o Federal Reserve respondeu de pronto com dois corte na Fed Funds Rate e reduções na taxa de redesconto, mudando a mão de sua política, até então mais restritiva e centrada no comportamento dos preços.
Agora, a interpretação do mercado sobre os indicadores e eventos recentes sugere que, em dezembro, o juro básico dos EUA será cortado mais uma vez. Esta não é, entretanto, a opinião da LCA Consultoria, cujo balanço do quadro atual ainda não justifica uma mudança na projeção de que o Fed não cortará a Fed Funds Rate em dezembro.
Balanço dos dados
De acordo com a instituição, a inflação norte-americana ainda inspira cuidados, mas não apresenta um comportamento em deterioração mesmo com a escalada dos preços do petróleo. Por sua vez, os indicadores de atividade trouxeram resultados mistos: “alguns piores e outros melhores do que o mercado antecipava”.
As vendas do varejo foram fracas, mas não alarmantes, a produção decepcionou, os indicadores antecedentes tiveram queda maior que esperado e as construções residenciais foram uma surpresa positiva. Mas, “os indicadores mais importantes sobre o mercado de imóveis residenciais só serão conhecidos no final do mês”.
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Já a ata do Fed, que do ponto de vista formal reiterou a avaliação de que há relativo equilíbrio entre os riscos de inflação e de enfraquecimento da atividade, ganhou mais atenção do mercado pelas projeções (revisadas para baixo) para o crescimento econômico, avalia a consultoria.
Cenário pode mudar, mas ainda é cedo
Dentro deste contexto, “o mercado agora dá como certo um corte da Fed Funds Rate em dezembro”, dizem os analistas da LCA, para quem a probabilidade deste desdobramento está, de fato, maior, mas ainda não prepondera.
Na opinião da instituição, a pressão sobre o preço do petróleo tem impacto tanto sobre a inflação como sobre a atividade, já que restringe a renda disponível dos norte-americanos para outros gastos. E é por isso que, por ora, a consultoria ainda acredita que não virá outro afrouxamento monetário em dezembro.
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Em todo caso, os analistas avaliam que “aumentou a probabilidade de que o Fed sinta necessidade de optar por um novo corte”. Da mesma forma, o risco de eclosão de uma recessão nos EUA no curto prazo, que tem probabilidade de 33%, diante dos desdobramentos recentes, poderá ser elevado pelos analistas.