EUA digerem relatório de emprego amargo e cresce pressão sobre Obama e Fed

Com pior desempenho em quase um ano, a não criação de vagas em agosto contribui para materializar fantasma da recessão

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SÃO PAULO – O feriado do dia do trabalho, que nos EUA acontece na primeira segunda-feira de setembro, não terá tantos motivos para ser celebrado em 2011.

Em meio ao crescente risco de recessão, o mercado norte-americano digere nesta sexta-feira (2) um relatório mensal de emprego amargo, que não sinalizou a abertura de novas vagas em agosto, e por isso é considerado “o pior em quase um ano”, segundo a LCA Consultores.

“Os resultados anêmicos do mercado de trabalho reforçam a percepção de que está aumentando o risco de recessão na maior economia do mundo. A manutenção de elevados níveis de desemprego seguirá pesando sobre a confiança pessoal e sobre o consumo das famílias”, avalia a LCA.

Desempenho histórico
Segundo a CNBC, essa foi a primeira vez desde a segunda guerra mundial que não houve diferença entre o número de empregos criados, embora em diversos outros momentos tenham sido registrados valores negativos para o indicador. O desempenho contrariou fortemente a projeção de abertura de 70 mil postos, que já embutiam desaceleração frente as 85 vagas criadas em julho.

Liz Ann Sonders, estrategista chefe da Charles Schwab, busca destacar algo de menos negativo nos números. “A notícia é relativamente boa, e eu enfatizo a palavra relativa, pois não estamos em uma fase de demissões, de retração no mercado. Por enquanto, estamos apenas em desaceleração”, afirma.

Distorções
Cabe citar a influência de eventos pontuais sobre o indicador. O relatório foi parcialmente distorcido pela greve de cerca de 45 mil empregados da gigante de telecomunicações Verizon, que apesar de já estarem voltando ao trabalho, foram contabilizados no índice.

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Por outro lado, agosto contou com a volta de 22 mil funcionários do estado de Minnesota, que retornaram ao trabalho após um “apagão” fiscal temporário do governo em julho, contribuindo para incluir novos postos de trabalho no relatório.

Taxa estável?
Outro ponto que merece atenção está no fato da taxa de desemprego ter se mantido estável em 9,1%. Apesar de alto para os padrões norte-americanos, a estabilização do patamar pode ser interpretada como uma surpresa, uma vez que com uma queda abrupta do número de vagas abertas era de se esperar que a taxa de desemprego subisse.

A resposta para este contrasenso é que mais pessoas sem ocupação formal simplesmente desistiram de procurar emprego frente à deterioração do mercado de trabalho.

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Somente na passagem entre julho e agosto, o número de desempregados que afirmaram não procurar trabalho há mais de quatro semanas, e por isso ficaram de fora da taxa de desemprego oficial, saltou de 2,4 milhões para 2,6 milhões.

Pressão
“É forçoso reconhecer que, junto com o risco de recessão, aumenta também a propensão do Federal Reserve a adotar mais uma rodada de afrouxamento quantitativo”, disse a LCA.

Com isso, aumenta cada vez mais a pressão para que Barack Obama e o Federal Reserve (banco central norte-americando) anunciem em breve novas medidas de estímulo econômico.

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De olho na agenda, investidores contam os dias para o discurso que o presidente norte-americano fará na próxima quinta-feira, no qual promete um pacote de incentivo para o mercado de trabalho, além da próxima reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) nos dias 21 e 22 de setembro, que pode marcar o início do QE3 (Quantitative Easing 3).