EUA: correção aproxima indicadores imobiliários a mínimas históricas

Ajuste no setor não é exclusivo da conjuntura econômica atual; histórico do país mostra correções semelhantes à atual

Por  Camila Schoti

SÃO PAULO – Tornou-se freqüente indicadores econômicos referentes ao setor imobiliário dos Estados Unidos evidenciarem números que remetem àqueles de anos atrás. A crise do segmento de crédito subprime, que deu início, inclusive, à brusca deterioração das expectativas para o cenário econômico do país (e não apenas para o setor imobiliário), desencadeou uma correção drástica no setor, mas não única na história econômica dos EUA.

Os dados de vendas, preços e construção de imóveis do país apresentavam trajetória ascendente desde o início da década de noventa, mas a deterioração recente do setor está conduzindo estes indicadores rumo aos menores níveis já vistos desde a década de 1960.

Deterioração não é evento exclusivo da atualidade

O expressivo ajuste registrado recentemente aconteceu em outros momentos da história do país, quando, da máxima até a mínima, a correção em alguns dos principais indicadores do setor ficou em torno de 50%. Tal comportamento foi registrado nas décadas de 60, 70 e 80.

Embora o recuo dos indicadores desde seu pico recente se aproxime daqueles registrados nos períodos anteriores, de maneira geral, o nível destes ainda é superior às mínimas históricas. Talvez não por muito tempo.

Expectativas de especialistas sugerem que a deterioração do setor ainda deve se intensificar. Em ata referente à sua última reunião, o Federal Reserve corroborou esta possibilidade, assim como o pronunciamento de diversos membros do colegiado.

Correção forte nos indicadores

O Housing Starts, indicador que afere o número de imóveis residenciais em início de construção, está próximo (1,012 milhões unidades em janeiro), mas ainda não está menor, que aqueles verificados em meados de 1992, 1983, 1975 e 1967, quando o indicador ficou abaixo das 900 mil unidades. Desde seu ponto de inflexão, no início de 2006, o indicador já recuou cerca de 55%.

O indicador que mensura a quantidade de permissões para construção de imóveis (Building Permits) apresenta trajetória semelhante e, a despeito da queda, também mantém-se acima de patamares historicamente reduzidos. Em janeiro, quando marcou 1,05 milhões, o indicador havia se reduzido em aproximadamente 54%, mas manteve-se acima da faixa dos 800 mil, registrada no início de 1993, por duas ocasiões na década de 1970 e em meados de 1968.

Desempenho do principais indicadores do setor imobiliário
IndicadorVariação 2005/2006*Variação 2006/2007*
Housing Starts-18,30%-38,4%
Building Permits-23,2%-33,7%
New Home Sale (imóveis vendidos)-17,8%-40,7%
New Home Sale (imóveis à venda)+4,7%-7,5%

*Variação mensurada sobre os meses de dezembro de cada ano

Em consonância com os demais indicadores, o New Home Sales, que afere as vendas de imóveis novos no país, recuou aproximadamente 55% desde o pico de vendas registrado ao final de 2005. Em janeiro, o indicador marcava 604 mil unidades, enquanto que em períodos de forte ajuste no setor, o indicador chegou a cair para abaixo de 400 mil unidades. Contudo, diferente dos indicadores já mencionados, o patamar de vendas ao final de 2005 (quando atingiu seu topo) superou com extensa margem outros períodos de vendas em alta.

Os preços de imóveis também ajustam-se à deterioração do setor. Os preços, que mostram consistente tendência de alta desde a década de 1970, mostraram a maior queda trimestral dos últimos 25 anos durante o terceiro trimestre de 2007, de acordo com o índice de preços de imóveis da Freddie Mac.

Especificidades justificam cada período

Em cada um dos períodos mencionados, a economia norte-americana esteve exposta a especificidades inerentes às políticas econômicas adotadas, ao contexto econômico global daquela ocasião, à sua própria dinâmica econômica e a demais variáveis que influenciam, direta ou indiretamente, o desempenho do setor.

Como tal, traçar o cenário prospectivo para o desempenho do setor não pode se limitar à uma breve avaliação de seu passado recente. Ainda assim, é interessante notar que, a despeito das especificidades de cada período, o desempenho registrado pelo mercado imobiliário norte-americano não é exclusivo da conjuntura econômica atual.

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