EUA: com corte de postos, desemprego cai puxado por recuo na força de trabalho

Perda de vagas deve-se ao censo no país; dados indicam que recuperação do mercado de trabalho dos EUA pode demorar

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SÃO PAULO – À primeira vista, a queda na taxa de desemprego norte-americana, divulgada pelo Employment Report nessa sexta-feira (2), pode dar sinais de uma melhora no ainda frágil quadro do mercado de trabalho do país. No entanto, em uma leitura mais detalhada dos dados, pode-se notar que o cenário talvez não seja dos mais animadores.

Embora a taxa de desemprego tenha recuado de 9,7% em maio para 9,5% auferidos no último mês – batendo ainda as expectativas do mercado, de 9,8% -, houve perda de 125 mil postos de trabalho na passagem mensal, sendo este o primeiro recuo no indicador ao longo deste ano e vindo pior do que a expectativa.

Dentre as razões para os números aparentemente controversos – queda no desemprego e perda de postos – a principal diz respeito ao recuo na força de trabalho do país, fazendo com que menos norte-americanos que não possuem um emprego formal sejam contabilizados como desempregado nos dados do Departamento de Trabalho. Em junho o mercado de trabalho registrou declínio de 652 mil pessoas.

Censo corta vagas; setor privado desanima
Já quanto às causas que levaram ao corte de vagas no intervalo, destaque ao censo a ser realizado este ano. No mês de junho o governo norte-americano, que nos últimos meses demandava mão-de-obra para a pesquisa, cortou 225 mil destes postos temporários. Cabe ressaltar que ainda estão trabalhando temporariamente na pesquisa outras 339 mil pessoas, as quais deverão perder seu posto nos próximos meses.

Além disso, um outro motivo para o recuo tem relação ao desempenho abaixo do esperado das contratações no setor privado. No período foram contratados 83 mil novos trabalhadores pelas companhia, abaixo das projeções de criação de 110 mil postos.

Morosidade
O ritmo exibido no último mês reforça os sinais de que levará mais tempo do que o esperado para que a maior economia do globo recupere os mais de 8 milhões de empregos perdidos durante o período de recessão. À medida que não são solucionados os problemas fiscais na Europa, os gastos dos consumidores dos EUA, receosos com a retomada da economia global, arrefecem, contraindo os ganhos da companhia que, então, diminuem o ritmo de contratação.

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Outros dados
Outro importante dado do documento refere-se ao subemprego – o qual abrange os trabalhadores de meio expediente que prefeririam trabalhar de maneira integral e pessoal que gostariam de trabalhar mas desistiram de procurar uma vaga –, que registrou decréscimo em junho, ao passar de 16,6% para 16,5%.

Vale destacar que no período, as contratações pelo setor privado foram lideradas pelo setores de educação e serviços médicos, transporte e lazer e hotelaria.

Os ganhos por hora trabalhada registraram variação negativa de 0,1%, caindo para US$ 22,53 e ficando abaixo do esperado pelos analistas, de alta de 0,1%. Por fim, a média de horas trabalhadas por semana (Average Workweek) se apresentou em 34,1 horas, resultado abaixo das expectativas dos analistas, de 34,2 horas.