EUA: alta no desemprego decepciona mercado e contradiz expectativas

Relatório de Emprego nos EUA registra reveses em diversos setores e coloca efetividade do QE2 sob discussão

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SÃO PAULO – O mercado recebeu negativamente os números de emprego divulgados nesta sexta-feira (3) nos EUA. A taxa de desemprego subiu de 9,6% em outubro para 9,8% em novembro, contrariando expectativas que previam estabilidade.

O aumento da taxa pode sinalizar também que desempregados que se encontravam desencorajados a procurar trabalho voltaram a buscar inserção no mercado. Em novembro, o mercado norte-americano registrou a abertura de 39 mil postos de trabalho enquanto era prevista a abertura de 130 mil vagas. 

Já a média de horas trabalhadas por semana (Average Workweek) se apresentou em 34,3 horas, resultado em em linha com as expectativas dos analistas e do resultado de outubro.

O revés em todos estes indicadores tem levantado discussões no mercado acerca da efetividade do QE2 (Quantitative Easing 2) anunciado pelo Federal Reserve, que prevê a injeção de US$ 600 bilhões na econômia através da recompra de títulos até meados de 2011.

Analistas prevêem ritmo lento de recuperação
Para a LCA Consultores, o aumento da taxa pode ter sido influenciado pelo procedimento de ajustamento sazonal do indicador, uma vez que o mesmo foi na direção inversa à sugerida pela redução recente dos pedidos de seguro-desemprego no país.

Porém, ainda no mesmo relatório, a LCA aponta que pode haver alguma aceleração no ritmo da criação de empregos nos próximos meses, particularmente durante o primeiro semestre de 2011, mas ressalta que o crescimento será “em ritmo insuficiente para reduzir de maneira significativa a taxa de desemprego ou para estimular uma aceleração relevante do consumo das famílias”.

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Mais números negativos
No período, foi avaliado ainda o nível de emprego no setor privado, o qual também apresentou performance muito aquém do esperado com a criação de 50 mil novas vagas enquanto eram previstos 160 mil novos postos.

Já a indústria apresentou a perda de 13 mil vagas, enquanto o setor de saúde registrou um aumento na criação de postos de trabalho, e a taxa de trabalhadores temporários que prefeririam estar trabalhando em um serviço fixo subiu, atingindo 17%.

Demissões no setor público
Já o setor público apresentou o fechamento de 11 mil vagas em novembro, medida que deve se aprofundar nos próximos meses, tendo como exemplo a cidade de Nova York que já anunciou a demissão de mais de 10 mil funcionários públicos nos próximos 18 meses em função do déficit previsto de US$ 3,3 bilhões.