Etanol não é responsável por aumento de preços dos alimentos

Biocombustível brasileiro estaria sofrendo perseguições; causa da crise seria urbanização, aumento de demanda e subsídios agrícolas

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SÃO PAULO – Segundo o diretor-titular do DMA (Departamento de Meio Ambiente) da Fiesp, Nelson Pereira, o cultivo da cana-de-açúcar para a produção de etanol não é fator determinante no aumento de preços dos alimentos, já que apenas 1% da área cultivada no Brasil destina-se ao biocombustível.

Pereira acredita que o fato de os países desenvolvidos terem esgotado suas fontes de energia e não possuírem opções renováveis, estaria por trás do argumento de que seria o etanol um dos principais causadores da crise.

“O Brasil tem 300 milhões de hectares para explorar e será o único país onde o consumidor vai poder escolher na bomba o tipo de combustível que vai usar. Nenhum outro tem esse privilégio”, avaliou.

Para o diretor, a elevação mundial nos preços dos produtos alimentícios deve-se à maior urbanização do planeta e ao aumento da renda nos países desenvolvidos, que teriam reduzido os estoques e elevado a demanda mundial, pressionando, dessa forma, os preços. Além dos subsídios agrícolas.

Etanol brasileiro

Maurílio Biagi, membro do Cosema (Conselho Superior de Meio Ambiente) da Fiesp, também compartilha da opinião que as acusações contra o etanol brasileiro são infundadas. “Temos uma oportunidade extraordinária nas mãos. O mundo percebeu isso e está colocando barreiras”, disse.

Segundo dados apresentados pelo diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Márcio Nappo, durante debates da Semana Fiesp-Ciesp de Meio Ambiente 2008, o biocombustível brasileiro supera seus concorrentes da Europa e dos EUA.

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Em termos de poluição, o etanol emite 90% menos gases causadores do aquecimento global, contra 40% do biocombustível europeu à base de trigo (40%) e do norte-americano, feito do milho (20%).

Já no que diz respeito ao balanço energético, para cada unidade de fonte fóssil, o biocombustível brasileiro produz 9.3 de energia renovável, enquanto seus concorrentes provenientes da beterraba, do trigo e do milho produzem 2.8, 2.0 e 1.4, respectivamente.

A aposta nacional também traz números favoráveis na relação área plantada e produção. Para cada hectare de cana-de-açúcar, o rendimento é de sete mil litros. A mesma área em beterraba produz cinco mil litros, já o milho rende quatro mil litros.