Otimismo exagerado

Estudo sobre remédio contra coronavírus anima bolsas, mas analistas alertam: é cedo para comemorar

A Gilead espera que os resultados de seus testes com pacientes com Covid-19 grave sejam divulgados até o final deste mês

Coronavírus
(Envato)

SÃO PAULO – Um estudo sobre tratamento contra o novo coronavírus divulgado na noite de quinta-feira (16) animou os investidores desde o after market de ontem. Nesta sexta-feira, os índices da bolsa dos Estados Unidos chegam a avançar mais de 2%.

O hospital da faculdade de medicina da Universidade de Chicago informou que um tratamento com o medicamento Remdesivir, produzido pela Gilead Sciences, estava mostrando rápidos resultados em 113 pacientes em estado grave com a doença.

No total, 125 pessoas infectadas com o novo coronavírus participaram do programa, que atualmente está na fase 3, segundo informações divulgadas pelo site especializado em saúde Stat News, que obteve os dados. Dois deles morreram.

Na semana passada, o New England Journal of Medicine publicou uma análise indicando que a maioria dos pacientes com Covid-19 tratados com o mesmo medicamento mostra melhora clínica.

O Remdesivir foi um dos primeiros medicamentos identificados como candidato ao tratamento da Covid-19, uma vez que se mostrou promissor no passado no tratamento de SARS e MERS, ambos causados por coronavírus.

Apesar do ânimo que esses estudos trouxeram para o mercado, cientistas e analistas apontam que é preciso ter cautela.

A própria Gilead disse em comunicado à Reuters que “a totalidade dos dados precisa ser analisada para tirar conclusões”. A Universidade de Chicago declarou que “tirar conclusões a essa altura é prematuro e cientificamente doentio”.

Os analistas de ações de biotecnologia do JPMorgan escreveram que a pesquisa publicada na quinta “parece representar outro encorajador, embora amplamente anedótico, dado para esse potencial candidato à remédio”.

Enquanto isso, a equipe de análise do setor de saúde do Barclays chamou o relatório do medicamento de “encorajador”, mas ressaltou que muitas perguntas ainda continuam.

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A maior questão é que o estudo ainda carece de maior controle e foi feito por apenas um grupo. Ele foi baseado em informações que ainda estão sendo analisadas e divulgado por um site, o Stat News, que não tem relação com a Gilead.

Os analistas do Barclays disseram que, “embora esses dados sejam encorajadores, eles não são controlados e são de uma única fonte”. Enquanto isso, analistas da Jefferies lembraram ainda que estes testes não tiveram nem um grupo de controle com o uso de placebos.

“Ainda há muita coisa que não sabemos e, portanto, hesitamos em colocar muito ânimo nos resultados gerados em um único centro sem um grupo de controle”, disse o JPMorgan. “Felizmente, não precisaremos esperar muito pela leitura da Fase 3 em pacientes graves”.

A Gilead espera que os resultados de seus testes com pacientes com Covid-19 grave sejam divulgados até o final deste mês. Dados de seus ensaios em pacientes com sintomas moderados são esperados para maio.

Além desses estudos da Gilead, existem vários outros em andamento para avaliar o Remdesivir, incluindo um na fase dois realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, que é um estudo adaptativo, randomizado e controlado por placebo.

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