Estilo soviético, bolsas em queda e bolha; as 10 previsões do Saxo para 2014

As previsões deste ano abrangem desde uma socialização das grandes fortunas na União Europeia, o cancelamento de toda a dívida pública do Bank of Japan

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SÃO PAULO – O Saxo Bank fez 10 “previsões surpreendentes” para 2014 – que eles mesmos acreditam serem difíceis de se concretizar. Embora a probabilidade de qualquer uma das previsões se tornar realidade seja baixa, é capaz que elas se tornem verdade, seguindo uma série de eventos políticos e de mercado.

As previsões deste ano abrangem desde uma socialização das grandes fortunas na União Europeia, o cancelamento de toda a dívida pública do Bank of Japan, uma bolha com as principais empresas do setor de tecnologia nos EUA e uma forte queda do preço do petróleo por causa da elevação da oferta no mercado.

Além disso, os EUA devem passar por uma deflação e a Alemanha pode entrar em recessão. “Esta não é uma visão pessimista. Trata-se de eventos críticos que podem levar à mudança, esperemos que para melhor. Afinal de contas, analisando a história, todas as mudanças, boas ou más, são feitas após momentos de crise, após um fracasso total da velha maneira de fazer as coisas”, afirma Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank. 

As perspectivas para o Brasil, Índia, África do Sul, Indonésia e Turquia também não são positivas para o banco, já que a retirada dos estímulos nos EUA deve resultar em custos marginais mais elevados de capital proveniente das taxas de juros, expondo os países com déficits em conta corrente e derrubando as moedas desses países. Enquanto isso, a Europa enfrenta uma nova turbulência com a formação de um grupo anti-UE tornar-se o maior grupo no Parlamento Europeu. 

As 10 previsões do Saxo para 2014:

1) A volta do modelo soviético com um imposto sobre grandes fortunas na União Europeia

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Em recessão e enfrentando os males de uma deflação, é capaz que a Comissão Europeia venha a introduzir um imposto sobre grandes fortunas para qualquer cidadão com mais de US$ 100 mil ou mesma quantia euros. O objetivo seria “acabar com a desigualdade” e criar um “amortecedor contra a crise”.

Para o Saxo Bank, esse será o último movimento em direção a um Estado europeu totalitário, em um momento difícil para os direitos individuais e de propriedade. A transação óbvia é comprar os ativos tangíveis e vender os ativos intangíveis inflacionados.

2) Aliança anti-UE será o maior grupo no parlamento europeu

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Se nada mudar até as eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio, a chance é grande que uma aliança transnacional contra a União Europeia se torne o maior grupo no Parlamento.

Assim, o novo Parlamento Europeu escolherá um presidente anti-UE e os Chefes de Estado e de governo do continente não mais conseguirão um presidente para a Comissão Europeia, o que deve colocar a Europa novamente em turbulência política e econômica.

3) Cinco grandes empresas de tecnologia formam uma bolha

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Um pequeno grupo de ações de tecnologia valem cerca de sete vezes mais o seu valor patrimonial, um número que começa a levantar perspectivas de bolha no setor de tecnologia. Amazon, Netflix, Twitter, Pandora Media e Yelp representam uma nova bolha dentro de uma bolha antiga, graças a investidores fazendo subscrições em excesso para cenários de crescimento raros, após a crise financeira.

4) Bank of Japan apaga a dívida pública 

Com a perda de fôlego da recuperação econômica mundial, os investidores devem voltar a comprar iene, fazendo com que a relação dólar/iene caia para menos de 80. Com isso, o Saxo acredita que o Banco Central japonês simplesmente elimine seus títulos de dívida japonesa, um truque de contabilidade.

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Como esse truque ainda não foi testado, os resultados formarão uma jornada estressante em direção à incerteza total e potencialmente um desastre com efeitos colaterais desconhecidos.

5) Deflação nos EUA

O mercado imobiliário continua frágil e o crescimento dos salários continua nulo, mesmo que outros os indicadores possam sugerir que a economia dos EUA esteja mais forte. 

Em janeiro, o Saxo acredita que o Congresso norte-americano realizará a 2ª parte de sua encenação de “como a atrapalhar a economia dos EUA”. Com isso, o investimento, o emprego e a confiança do consumidor vão sofrer mais uma vez. Para os economistas do banco, isso garantirá que a deflação será novamente um importante assunto da agenda do Fed.

6) Flexibilização quantitativa aposta nas hipotecas

Enquanto isso, o Quantitative Easing nos EUA diminuiram artificialmente os juros e diminuíram o risco dos mercados com a expansão da liquidez. Os desafios graves da economia americana permanecem, especialmente para o mercado imobiliário que está efetivamente na UTI.

O Fomc, portanto, está apostando nas hipotecas em 2014, transformando a terceira rodada do QE em um programa de compra de obrigações hipotecárias que, ao invés de reduzir, vai aumentar a abrangência do programa para mais de US$ 100 bilhões por mês.

7) Petróleo tipo Brent cai para US$80/barril

O aumento da produção de petróleo no mundo deverá fazer com que o preço da commodity despenque até para baixo US$ 80 por barril. E somente quando os produtores reduzirem a produção que o petróleo vai responder com uma forte recuperação.

8) Alemanha em recessão

O desempenho superior da economia alemã deve acabar em 2014. A maior economia europeia deverá entrar em recessão neste ano após a queda dos preços de energia nos EUA ajuda a transferência de empregos para lá. A Alemanha também deverá ter menor competitividade devido ao aumento dos salários reais, possíveis exigências do SPD (Partido Social Democrata da Alemanha), o novo parceiro de coalizão, para melhorar o bem-estar das classes média e baixa na Alemanha.

9) Bolsa francesa despenca 40% com mal-estar francês

De acordo com o Saxo, o desempenho econômico francês só piora sob a má gestão do governo François Hollande. De acordo com eles, os preços da habitação vão despencar, o que deverá ter um impacto sobre o consumo e a confiança. Assim, o índice CAC 40 cairá em mais de 40% em relação aos seus picos de 2013, até o final do 2014.

10) Real e mais quatro moedas caem 25% em comparação ao dólar

A retirada do QE deverá resultar em custos marginais mais elevados de capital provenientes das taxas de juros mais altas. Isso vai deixar os países que possuem déficits em conta corrente em crescimento expostos à diminuição do interesse por parte dos investidores globais, o que poderia derrubar taxas de suas moedas, especialmente em relação ao dólar dos EUA. O Saxo inclui 5 países nessa categoria – Brasil, Índia, África do Sul, Indonésia e Turquia.

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